Nos últimos dias, parte da imprensa brasileira vem questionando o recorde de Anitta com a faixa “Envolver”. Em 25 de março, a cantora se tornou a primeira artista nacional a chegar ao topo do ranking global do Spotify. Na ocasião, a canção obteve mais de 6 milhões de reproduções.
Em bom “internetês”, “do nada” vários veículos passaram a replicar um artigo postado pelo site Rest of World, produzido por uma brasileira, onde aponta que os fãs da cantora teriam burlado o algoritmo da plataforma para conseguir o feito.
“Mas seu sucesso nas paradas do Spotify não é apenas resultado do refrão cativante da música: fãs de Anitta e especialistas da indústria da música disseram ao Rest of World que parte do sucesso de “Envolver” pode ser atribuído a fãs que manipulam os algoritmos da plataforma de maneiras que potencialmente quebrou os termos e condições do Spotify. Pelo menos parte desse comportamento foi incentivado pela própria equipe de Anitta, que pressionou os fãs a inflar suas streams na plataforma”, diz um trecho do artigo, que passou a ser endossado por sites brasileiros como Folha e UOL.
O próprio artigo, por exemplo, traz o depoimento de um fã de Anitta, chamado Adriano Ferreira da Silva Filho. Ele teria criado uma série de playlists diferentes para tocar a música mais de 2.000 vezes por dia usando seu laptop e dois celulares para que todos pudessem tocar simultaneamente com diferentes nomes de usuário.
Vou insistir no artigo, já que foi usado como base para os ataques à artista. A matéria ainda cita o seguinte: “A campanha “Envolver” se enquadra em uma zona cinzenta, já que aparentemente muitos dos fluxos foram gerados por um exército de fãs altamente engajados, não bots, que o Spotify se tornou muito hábil em detectar e expulsar de sua plataforma”. E segue com o depoimento de Nathy Faria, coordenadora da Music Rio Academy: “Do ponto de vista do marketing digital, não há nada de errado com os fãs fazendo isso. Se um artista tem pessoas dispostas a fazer isso, isso só mostra o quão poderoso eles são”.
Sucesso orgânico
Não é preciso ser um expert para entender que “Envolver” é um sucesso global. Em 2021, o próprio Spotify postou um vídeo no YouTube explicando o que é um streaming artificial e como isso afeta o mercado fonográfico. Os chamados “bots” são programas que se passam por usuários e reproduzem os conteúdos criando um desbalanceamento do resultado real. Tal prática pode levar até à exclusão da canção da plataforma e penalização ao artista.
Porém, o uso de playlists e reprodução da mesma de forma orgânica, como foi propagado pelos fãs de Anitta, não apenas é algo que é proporcionado pelo próprio Spotify como é uma prática recorrente em vários “fandons” pelo mundo.
Combate à venda de stream
Em 2021 veio à tona um escândalo mostrando uma márfia que comercializava a venda de posições em playlists do Spotify e prometiam resultados nas paradas oficiais da plataforma. Algo bem distante do que vimos em “Envolver”, cuja mobilização envolveu celebridades nacionais e internacionais, fãs e não fãs de Anitta.
“Qualquer serviço que alega oferecer colocação garantida em listas de reprodução no Spotify em troca de dinheiro viola nossos termos e condições e não deve ser usado”, afirma o próprio Spotify.
Entrada em playlists editorais
Para entrar em uma playlist oficial do Spotify o artista só tem um caminho: sua área exclusiva dentro da plataforma. Apenas via Spotify For Artists é possível submeter uma canção para ser avaliada aos vários editores do serviço de streaming.
Dito isso, é importante ressaltar que “Envolver” esteve no topo de playlists como “Today’s Top Hits”, a maior da plataforma com mais de 30 milhões de seguidores, além de presença no Top 10 de outras como “Viva Latino” (11 milhões de seguidores), “TikTok Songs 2022 TikTok Hits” (1,8 milhões de seguidores). Esta última, por exemplo, elenca as músicas que estão em alta no TikTok, local onde o sucesso de “Envolver” começou com o chamado “El Paso de Anitta”, vulgo a coreografia da canção.
Diariamente, esses milhões de usuários consomem as músicas dessas listas, o que de fato catapulta os resultados. Mas, ouvir música por uma playlist não é crime, pelo contrário, é uma das maiores comunidades dentro da própria plataforma.
Assista ao vídeo produzido pelo próprio Spotify e entenda o que é streaming artificial:










































