Após mais de uma década construindo pontes culturais entre Brasil e Europa, a produtora cultural Aline Junqueira Fujii, conhecida no circuito do forró pé de serra como Aline Pocahontas, embarca em mais uma missão internacional: uma turnê com dois shows distintos, comandados por Alex Corrente e Lino de França, dois expoentes do forró tradicional. A turnê acontece entre o final de agosto e o início de outubro de 2025, com apresentações em cidades como Barcelona (Espanha), Saint-Nazaire (França), Londres (Inglaterra) e Berna (Suíça), passando por festivais, festas e jam sessions.
Além dos artistas principais, integram a banda os músicos Vitor Lima Vital (Vitinho) no cavaquinho e, na zabumba, Dhu Messias, Denis Ferreira (idealizador e organizador do festival de Barcelona Pisa na Fulô há 11 anos e Dr. Honoris Causa pela contribuição cultural e Abner Brasil. Com essa formação versátil, a banda garante potência sonora e adaptação a diferentes formatos de evento.
Radicada por quase 18 anos na Alemanha, Aline chegou ao país como intercambista da USP e logo se envolveu com a cena cultural local. De quem dançava nas festas a quem hoje organiza e conecta artistas brasileiros à cena cultural europeia, ela foi responsável por acolher artistas, organizar festivais e criar conexões entre públicos e culturas tão distintas. “Meu papel era traduzir, literalmente e simbolicamente, o espírito brasileiro para um público mais rígido e linear. Era preciso sensibilidade, paciência e estratégia”, relembra.
A atual turnê aposta justamente nessa expertise: une dois shows (de Alex e Lino) em uma mesma equipe para reduzir custos de deslocamento e ampliar as possibilidades de programação para contratantes. A agenda inclui festas, festivais e ações de intercâmbio com músicos locais. Em algumas cidades, as apresentações se desdobram em jam sessions, encontros intimistas e oficinas culturais, reforçando o caráter colaborativo e formativo da iniciativa.
Alex Corrente, capixaba radicado em São Paulo, tem mais de 25 anos de estrada e passagens por festivais no Brasil e na Europa como FENFIT e DineDine, além de dividir palco e acompanhar nomes como Trio Virgulino, Anastácia e Falamansa. Já Lino de França, sanfoneiro e cantor paulista, filho de pernambucanos, cresceu ao som de Luiz Gonzaga e já dividiu o palco com Mariana Aydar, Enoque Virgulino e Bernadette França. Ambos têm carreira solo e repertório autoral, além de forte atuação na preservação do forró pé de serra.
Mais do que um roteiro de shows, a turnê é um projeto de fortalecimento cultural. “Lá na Europa, não tem forró todo dia como em São Paulo. Por isso, aproveitamos até os dias de semana para plantar sementes em cidades onde o ritmo ainda engatinha”, explica Aline, que nesta edição quer intensificar sua atuação em países da Escandinávia, região onde o forró ainda está em fase embrionária.
Com um olhar atento à cadeia cultural, Aline também se destaca por compreender os dois lados do circuito: já atuou como contratante de eventos e hoje trabalha na linha de frente como produtora de artistas. Essa visão abrangente fortalece sua atuação como produtora dedicada à difusão do forró fora do Brasil.
E os planos não param por aí. Para 2026, Aline pretende realizar uma nova turnê europeia com um DJ brasileiro, repetindo a parceria de sucesso que teve neste ano, e negocia uma nova tour para o segundo semestre com uma banda inédita no circuito internacional. Paralelamente, começa a desenhar projetos no Brasil com foco em crianças e adolescentes, buscando revitalizar o gênero e atrair novos públicos. “Depois daquele boom do forró universitário nos anos 90 e 2000, o forró e as pessoas foram envelhecendo juntos, com pouca renovação. Fora da temporada junina, o ritmo praticamente desaparece em cidades do Sudeste. Isso precisa mudar”, diz.
Em tudo que faz, Aline carrega uma paixão genuína e o desejo de profissionalizar e valorizar quem vive de forró. “Quero continuar colocando todas as minhas forças nessa paixão. Meu objetivo é fortalecer o movimento, dar reconhecimento aos artistas, produtores e trabalhadores dessa cultura que merece continuar crescendo e levando alegria para o mundo. Quem quiser, dá a mão aqui e vem comigo. Vamos juntos!”, conclui, com o entusiasmo de quem dança forró com o coração.









































