A cantora, compositora e artista folk global Shreya Pujari apresenta uma nova canção que conecta tradições musicais de diferentes regiões em uma narrativa sobre saudade, travessia, devoção e amor à distância. O trabalho combina elementos do folk nórdico, da música fluvial assamesa e da poesia lírica do Rajastão, resultando em uma composição que aproxima culturas por meio de experiências humanas universais.
Musicalmente, a faixa se destaca pelo uso de um compasso incomum de 7/8, que contribui para seu caráter rítmico ousado. A canção busca inspiração nas tradições marítimas nórdicas, associadas a imagens de navegadores e travessias em mar aberto, ao mesmo tempo em que encontra sua base na tradição Bhatiali, gênero folk ligado aos rios de Assam.
A produção também incorpora imagens poéticas do Rajastão, acrescentando uma dimensão íntima e terrosa à música. Nesse contexto, aparecem temas como espera, devoção e a certeza de um amor que resiste à distância.
O barqueiro como símbolo de encontro
No centro da canção está a expressão recorrente “naoriya”, um chamado ao barqueiro. Presente em tradições populares do Sul da Ásia, essa figura representa o destino, a passagem do tempo e o caminho entre a separação e o reencontro.
Na composição de Pujari, o barqueiro se transforma em um arquétipo compartilhado: ele conecta o marinheiro nórdico, o guia dos rios de Assam e a pessoa apaixonada que espera na outra margem.
“Chamar pelo barqueiro pareceu algo universal. Seja um marinheiro nórdico atravessando o mar ou um barqueiro assamês navegando pelo Brahmaputra, a imagem é a mesma: alguém pedindo para ser levado em direção ao amor, ao lar ou ao destino.”
A letra explora a espera pelo amor, a distância emocional e a urgência de superar obstáculos. A seção inspirada na poesia do Rajastão acrescenta momentos de ternura e determinação, nos quais a saudade gradualmente dá lugar à fé e ao sentimento de pertencimento.
Tradição e produção contemporânea
A sonoridade da faixa combina instrumentos tradicionais, como a dotara, com elementos do pop global contemporâneo. Essa fusão permite que influências regionais distintas coexistam em uma produção moderna, sem perder suas referências culturais.
O resultado se insere nos gêneros world pop, folk fusion e global indie, com uma proposta que valoriza a diversidade de linguagens musicais e a capacidade do folk de contar histórias que atravessam territórios e gerações.
Música, pesquisa e identidade
Graduada pelo Berklee College of Music e pesquisadora bolsista do programa Fulbright-Nehru, Shreya Pujari está atualmente baseada em Assam. Seu trabalho é profundamente influenciado pela pesquisa sobre tradições musicais indígenas e populares, além de experiências relacionadas à identidade, migração e pertencimento.
Sua produção artística procura inserir sons globais em contextos contemporâneos, abrindo espaço para linguagens musicais menos representadas nos circuitos da música indie e de sincronização audiovisual.
Com esse lançamento, Pujari reforça uma visão do folk não como uma expressão parada no passado, mas como uma forma viva, capaz de se transformar e continuar narrando sentimentos profundamente humanos.
Artista: Shreya Pujari Gêneros: World Pop, Folk Fusion, Global Indie Idiomas: Hindi e Rajasthani Temas: Saudade, espera, travessia, devoção, jornada e amor à distância









































