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Música

De Brazlândia ao Mississípi, passando pelo sertão: ouça “Blues do Nordeste”, de Walter Muganga

Em parceria com Renato Matos, artista conecta o blues ao baião em celebração multicultural

Foto: Divulgação

O guitarrista, cantor e compositor brasiliense Walter Muganga apresenta nesta sexta (7) o single Blues do Nordeste, encontro sonoro com Renato Matos e Samuel Lila que une o blues de raiz ao baião em uma conversa fluida e surpreendente. A faixa atravessa tradições afrodiaspóricas para revelar um mesmo fio ancestral entre ritmos, territórios e histórias que se reconhecem ao primeiro toque.

A canção surgiu de uma provocação do próprio Renato Matos, com quem Muganga começou a ter uma troca a partir de um convite para tocar que, embora não tenha dado certo, resultou em uma grande amizade e parceria. A partir dos primeiros versos propostos por Matos, como uma brincadeira, a música foi se desenvolvendo, primeiro liricamente, depois harmonicamente. Os versos “Walter Muganga/ Procurou miçanga/ Uma índia candanga”, que abrem a música, deram o mote e o tom do resto da canção, trazendo todo o humor da música nordestina e aludindo, já de cara, à cultura indígena e aos pés bem fincados no cerrado.

Os versos seguintes, “Pintou o rosto/ Com muito gosto/ Fez um chocalho/ e ritmou um blues” já evidenciam a missão da música: unir os ritmos negros da América em um só canto, uma só voz. O refrão “Blues do Nordeste/ Tupi Guarani/ de cabra da peste” encerram qualquer dúvida sobre essa vocação multicultural, enquanto o trecho “E o Mississípi/ Desaguou no mundo/ Regou xique-xique/ Na terra do baião” destaca as raízes comuns da música popular no continente e suas influências.

Sobre a parceria com Renato Matos, Muganga destaca que nutre uma grande admiração pelo ídolo, o considera uma grande referência na música brasiliense, mas que a parceria se desenvolveu de maneira muito natural. “Estar ali com ele é como estar diante de uma força ancestral, de uma grande sabedoria. São vários aconselhamentos e direcionamentos que eu pude tirar dessa relação. Mas, ao mesmo tempo, ele se tornou um amigo, um parceiro de trabalho, porque ele é muito generoso na relação, e é um grande presente que seja dessa maneira”, conta Muganga, revelando que ainda tem muita coisa pra sair dessa cartola.

Foto: Divulgação

A música ganhará ainda um videoclipe dirigido por Hível Nogueira, como trabalho de conclusão de uma disciplina da faculdade, gravado na Aldeia Bahsakewii, no setor Noroeste de Brasília. A faixa foi produzida por Ricelly Lopez e conta com Walter Muganga na guitarra e vocal, Marcelo Canuto no contrabaixo, Mateus Nigrimanum na bateria, Vitor Queiroz no teclado e Eduardo Bento na percussão.

A banda (com exceção de Queiroz, substituído nessa noite por Jean Landim nos teclados) se apresenta no sábado (8/11), a partir das 21h, no icônico Bar do Kareka, em Taguatinga, com o show de lançamento do single.

Sobre o artista

A palavra “Muganga” vem dos idiomas kikongo e kimbundo, das regiões de Congo, Angola, Moçambique e Ruanda (África), e significa “aquele que cura”, ou curandeiro, feiticeiro. Em Ruanda, é traduzido como a figura do médico na cultura ocidental.

Walter Muganga nasceu em Brazlândia (DF) e mudou-se para o Paraná aos 13 anos de idade, época em que começou a aprender violão. Aos 14 anos já experimentava as primeiras composições, mas parou de se dedicar à música para estudar direito. Abandonou o curso, porém, quando percebeu que sua verdadeira vocação era a arte, e foi estudar Música na UnB. Transitou por diversos gêneros musicais, do reggae ao rock, até conhecer e se encantar pelo blues. “Eu me identifiquei muito com esse sentimento que o blues expressa, aquela coisa ‘menor’ (em termos de escala melódica), rasgada, chorosa, esse lance de transmutar a tristeza através da música. Eu dediquei muito tempo a ele, e ele também me ensinou muita coisa”, conta Muganga.

Além do trabalho solo, Muganga já participou das banda Asilo Verde (atualmente Arka Blues), Black Blues Band (da qual foi fundador), Flor Furacão e Forró Jazz do Cerrado. Já se apresentou em alguns dos mais importantes festivais brasilienses como o CoMA, Divino, Super Jazz, Quito Blues Brasil, Festival Anapolino de Música, República Blues, Rock Ecologia e Moto Capital, e palcos icônicos como os do Clube do Choro, Casa de Cultura República Blues (Olhos D’água), Pinella, London Music Bar, Porks, Lay Back Park, London Street Pub, Brazólia, Toinha Rock Pub, Zepelim, Stadt Bier, Gate’s Pub, Country Rock, Cult 22 Rock Bar e Blues Pub.

Em 2022, lançou os singles Blues da Coragem e Estou namorando a Ana Cañas, e agora dá continuidade ao trabalho com o single Blues do Nordeste.

Written By

Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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