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De operário a presidente: conheça a trajetória política de Lula

Ex-metalúrgico e líder sindical, Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma trajetória marcada por disputas eleitorais, dois mandatos consecutivos na Presidência, prisão e retorno ao Palácio do Planalto.

De operário a presidente: conheça a trajetória política de Lula
Reprodução

Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, é uma das principais figuras da política brasileira. Nascido em Garanhuns, no interior de Pernambuco, em 27 de outubro de 1945, ele saiu de uma família humilde, trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional ao liderar movimentos sindicais durante a ditadura militar.

Fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula disputou a Presidência da República pela primeira vez em 1989. Depois de três tentativas, conquistou a vitória em 2002 e governou o Brasil por dois mandatos consecutivos. Após enfrentar processos judiciais e permanecer preso por 580 dias, voltou a disputar as eleições e venceu Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022.

Em 2026, Lula concorre novamente à Presidência, desta vez contra Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições. Caso seja eleito, conquistará seu quarto triunfo em uma eleição presidencial e poderá exercer um quarto mandato, a partir de 2027.

Infância e primeiros empregos

Lula nasceu em uma família numerosa, sendo um dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindu.

Em dezembro de 1952, sua família deixou Pernambuco e migrou para o litoral paulista em busca de melhores condições de vida. Inicialmente, instalou-se em Guarujá e, posteriormente, mudou-se para a cidade de São Paulo.

Ainda criança, Lula começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Aos 12 anos, conseguiu emprego em uma tinturaria. Também trabalhou como engraxate e office-boy.

Na adolescência, ingressou no curso de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Após concluir a formação, passou a trabalhar na indústria metalúrgica, atividade que marcaria o início de sua trajetória sindical.

Ascensão no movimento sindical

A aproximação de Lula com o sindicalismo ocorreu enquanto trabalhava em empresas metalúrgicas da região do ABC paulista, especialmente em São Bernardo do Campo, importante polo industrial do país.

Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Três anos depois, conquistou a reeleição e ampliou sua atuação na defesa dos direitos dos trabalhadores.

Durante a ditadura militar, Lula ganhou destaque nacional ao liderar mobilizações por melhores salários e condições de trabalho.

Em março de 1979, uma greve de grandes proporções mobilizou milhares de metalúrgicos no ABC paulista. No ano seguinte, novas paralisações resultaram em sua prisão, durante a repressão aos movimentos sindicais.

Lula permaneceu detido por 31 dias, episódio que ampliou sua visibilidade no cenário político nacional.

Fundação do Partido dos Trabalhadores

Em 10 de fevereiro de 1980, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, ao lado de sindicalistas, intelectuais, representantes de movimentos sociais e outras lideranças políticas.

A criação da legenda ocorreu em meio ao processo de abertura política e à mobilização pela redemocratização do Brasil.

Lula também participou da organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada em 1983, e esteve envolvido nas mobilizações pelas eleições diretas para presidente, conhecidas como Diretas Já.

Em 1982, disputou pela primeira vez um cargo eletivo, concorrendo ao governo de São Paulo. Terminou a eleição em quarto lugar.

Quatro anos depois, foi eleito deputado federal pelo estado, com votação expressiva. No Congresso Nacional, participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição Federal de 1988.

As primeiras disputas pela Presidência

Em 1989, Lula concorreu à Presidência da República na primeira eleição direta para o cargo após o regime militar.

A disputa chegou ao segundo turno, mas o candidato do PT foi derrotado por Fernando Collor de Mello.

Lula voltou a concorrer em 1994 e 1998, mas perdeu as duas eleições para Fernando Henrique Cardoso, eleito e reeleito pelo PSDB.

Apesar das derrotas, o petista consolidou sua presença no cenário político nacional e ampliou sua base de apoio eleitoral.

A primeira vitória e os dois mandatos

A vitória de Lula chegou em 2002, quando disputou a Presidência ao lado do empresário José Alencar, candidato a vice-presidente.

No segundo turno, Lula derrotou José Serra (PSDB) e foi eleito presidente com aproximadamente 53 milhões de votos. Tomou posse em 1º de janeiro de 2003.

Seu primeiro governo foi marcado pela expansão de programas sociais, pela ampliação das políticas de transferência de renda e pela criação do Bolsa Família, em 2003, a partir da unificação de iniciativas sociais anteriores.

Em 2005, o governo enfrentou o escândalo do Mensalão, que provocou uma crise política e investigações sobre pagamentos a parlamentares em troca de apoio no Congresso Nacional.

Em 2006, Lula foi reeleito para um segundo mandato, derrotando Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB.

O período seguinte foi marcado pela expansão de investimentos em infraestrutura, pela descoberta de reservas de petróleo na camada do pré-sal e por medidas adotadas para enfrentar os efeitos da crise financeira internacional de 2008.

Ao final de seus dois mandatos, Lula deixou a Presidência em janeiro de 2011. Sua sucessora foi Dilma Rousseff, também do PT, que havia ocupado o Ministério de Minas e Energia e a Casa Civil durante seu governo.

Operação Lava Jato e prisão

Após deixar a Presidência, Lula voltou ao centro do debate político nacional em meio às investigações da Operação Lava Jato.

Em julho de 2017, foi condenado no processo relacionado a um apartamento tríplex no Guarujá, no litoral paulista. A condenação foi confirmada em segunda instância em 2018, o que impediu sua candidatura à Presidência naquele ano.

Em 7 de abril de 2018, Lula se entregou à Polícia Federal após a expedição de um mandado de prisão. Ele permaneceu preso por 580 dias, até novembro de 2019, quando foi solto após uma mudança no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a execução da pena após condenação em segunda instância.

Em março de 2021, o STF anulou as condenações de Lula nos processos da Lava Jato julgados pela Justiça Federal de Curitiba, por entender que aquele juízo não tinha competência para julgar os casos. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex.

Com a anulação das condenações, Lula recuperou seus direitos políticos e voltou a ficar apto a disputar eleições.

Retorno ao Palácio do Planalto

Em 2022, Lula lançou sua candidatura à Presidência com Geraldo Alckmin, antigo adversário político, como candidato a vice-presidente.

A eleição foi marcada por uma disputa acirrada contra o então presidente Jair Bolsonaro. No segundo turno, realizado em 30 de outubro, Lula recebeu 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Bolsonaro, e conquistou seu terceiro mandato presidencial.

A posse ocorreu em 1º de janeiro de 2023.

Durante o terceiro governo, Lula retomou programas sociais e iniciativas de combate à fome, além de conduzir debates sobre economia, tributação, meio ambiente e políticas públicas.

Eleições de 2026

Aos 80 anos, Lula disputa novamente a Presidência da República nas eleições de 2026. O segundo turno está marcado para este domingo (25), em uma disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A trajetória do petista reúne décadas de atuação sindical, participação na redemocratização, derrotas eleitorais, dois mandatos consecutivos, uma prisão e o retorno à Presidência em 2023.

O resultado da votação deste domingo definirá se Lula conquistará uma nova vitória eleitoral e poderá iniciar um quarto mandato presidencial em janeiro de 2027.

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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