O tradicional Wireless Festival foi cancelado após o rapper Kanye West — que atualmente usa o nome Ye — ser impedido de entrar no Reino Unido. O artista era a principal atração do evento, que aconteceria em Londres durante o verão europeu.
A decisão partiu do governo britânico, que negou a autorização de viagem do cantor após forte repercussão negativa envolvendo sua participação no festival. Nos últimos anos, West tem sido alvo de críticas por declarações consideradas antissemitas, racistas e pró-nazistas.
Em comunicado, a organização do evento informou que o Home Office (Ministério do Interior do Reino Unido) retirou a autorização eletrônica de viagem do artista, impedindo sua entrada no país. Com isso, o festival foi oficialmente cancelado, e os ingressos serão reembolsados.
Governo cita “interesse público”
Segundo autoridades britânicas, o pedido de entrada de Kanye West foi recusado por não ser considerado “conducente ao bem público”. A medida ocorre em meio à pressão de políticos e entidades que se posicionaram contra a presença do rapper no evento.
Organizações como a Campaign Against Antisemitism elogiaram a decisão, afirmando que o governo agiu corretamente ao barrar alguém com histórico recente de declarações ofensivas. O grupo também criticou os organizadores do festival por manterem o convite ao artista até o último momento.
Repercussão política e críticas
A participação de Kanye West já vinha sendo questionada por autoridades britânicas. O primeiro-ministro Keir Starmer declarou que o antissemitismo deve ser combatido com firmeza. Já o secretário de Saúde Wes Streeting classificou as recentes declarações do rapper como insuficientes e criticou o festival por tentar legitimar sua presença.
Outros políticos também defenderam a proibição da entrada do artista, reforçando a pressão sobre o governo.
Resposta do artista e tentativa de diálogo
Antes da decisão final, Kanye West afirmou que estaria disposto a se reunir com representantes da comunidade judaica no Reino Unido. Em nota, disse que reconhece que “palavras não são suficientes” e que pretende demonstrar mudança por meio de atitudes.
Mesmo assim, entidades como o Board of Deputies of British Jews mantiveram a posição de que o convite ao artista deveria ser cancelado.
Organização cita impacto e lamenta cancelamento
A empresa responsável pelo festival, a Festival Republic, afirmou que consultou diferentes partes envolvidas antes de confirmar o nome de Kanye West, mas reconheceu a gravidade das questões levantadas.
O diretor do evento, Melvin Benn, chegou a mencionar fatores relacionados à saúde mental do artista ao comentar o caso, mas a justificativa foi criticada por grupos da comunidade judaica.
Com o veto do governo, a decisão final saiu das mãos dos organizadores, levando ao cancelamento total do festival deste ano.











































