O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou nesta quinta-feira (5) o empresário Igor Freitas, filho do tetracampeão mundial de boxe Acelino Popó Freitas, por suposta participação em um esquema de manipulação de resultados no futebol brasileiro. Também foram denunciados o sócio Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro.
De acordo com o MP-PR, o trio é acusado de tentar aliciar jogadores para fraudar partidas das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. Entre os atletas abordados estaria Reinaldo, do Mirassol, que teria recusado a proposta. Os denunciados responderão por associação criminosa, prevista no Código Penal, e corrupção em âmbito desportivo, crime tipificado na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023).

A denúncia é resultado da Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025 pelo Gaeco. As investigações começaram após a apuração de uma oferta de R$ 15 mil feita a pelo menos três jogadores do Londrina para forçar cartões amarelos em uma partida da Série C. A partir desse episódio, os investigadores identificaram tentativas de manipulação em diferentes regiões do país.
Segundo a denúncia, Igor Freitas liderava a abordagem aos atletas utilizando o prestígio do sobrenome. Ele entrava em contato pelas redes sociais, especialmente Instagram e WhatsApp, apresentando-se como representante de grandes empresas e oferecendo supostas oportunidades de negócios e patrocínios. Após conquistar a confiança dos jogadores, o contato era repassado a Rodrigo Rossi, que se apresentava como operador com acesso a diversas casas de apostas.
No caso de Reinaldo, a tentativa não teve sucesso. Em mensagens anexadas ao processo, o jogador encerra o diálogo de forma direta: “Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”.
Interceptações telefônicas e trocas de mensagens também revelaram planos de expansão do esquema para outras regiões, além de conflitos internos entre os envolvidos por causa da divisão de valores obtidos ilegalmente. Em uma das conversas, Raphael Ribeiro cobra repasses financeiros de Rodrigo Rossi, indicando falta de controle sobre o dinheiro movimentado.
Para reunir provas, o Gaeco cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal nas cidades de Salvador (BA) e Itapema (SC), com apoio das forças de segurança locais.
Caso sejam condenados, os réus podem pegar penas que variam de dois a seis anos de prisão, além de multa. O Ministério Público também solicitou o pagamento de R$ 150 mil por danos morais coletivos, como forma de reparação ao prejuízo causado à credibilidade do esporte. Até o momento, as defesas não se manifestaram.
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Foto: Reprodução/Redes Sociais












































