Dois anos após a morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, a Justiça de São Paulo determinou a retomada das investigações sobre o caso. A decisão foi tomada após um pedido do Ministério Público, que apontou inconsistências na conclusão do inquérito policial que havia classificado a morte como suicídio.
Com a reabertura do caso, uma reconstituição está marcada para esta terça-feira (20), às 10h30, no apartamento onde o influenciador foi encontrado morto, na zona Sul da capital paulista. A medida busca esclarecer contradições identificadas em laudos periciais e depoimentos colhidos durante a investigação inicial.
Os advogados da família de PC Siqueira questionam principalmente o laudo elaborado em 2023, que apontou o suicídio como causa da morte. Segundo o Ministério Público, há elementos que precisam ser reavaliados para garantir a correta apuração dos fatos.
PC Siqueira foi encontrado sem vida em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos, em seu apartamento localizado no terceiro andar de um prédio na zona Sul de São Paulo. Ele foi um dos pioneiros da produção de conteúdo digital no Brasil e ganhou notoriedade nacional ainda nos primeiros anos do YouTube.
Em janeiro de 2024, exames do Instituto Médico Legal indicaram que a causa da morte foi asfixia mecânica por enforcamento, conclusão reforçada posteriormente pelo Instituto de Criminalística. O inquérito foi encerrado em outubro de 2025 pelo 11º Distrito Policial de Santo Amaro, mantendo a versão de suicídio, mas passou a ser contestado pela família do influenciador.
Uma primeira tentativa de reconstituição, marcada para novembro de 2025, não ocorreu devido à ausência da ex-namorada de PC Siqueira, que estava presente no apartamento no dia da morte. Nesta semana, ela constituiu uma advogada e informou à Justiça que recebeu a intimação para o novo procedimento, mas alegou impossibilidade de comparecer por morar atualmente no Rio de Janeiro e estar amamentando um bebê de cerca de três meses.
De acordo com depoimentos prestados à polícia, o influenciador teria tirado a própria vida na presença da ex-companheira, com quem havia encerrado o relacionamento dois dias antes. Ela relatou que, no dia do ocorrido, ele teria feito uso de medicamentos e drogas e demonstrado intenção suicida. Uma vizinha acionou o Samu, que orientou tentativas de reanimação, e a Polícia Militar foi chamada em seguida.
Antes de sua morte, PC Siqueira também havia sido investigado por suspeita de envolvimento com a divulgação de imagens de abuso sexual infantil, após o vazamento de mensagens privadas em 2020. No entanto, perícias realizadas nos computadores apreendidos não encontraram esse tipo de material. A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi encerrado em junho de 2024 por extinção de punibilidade.
Com a reabertura da investigação, a expectativa é de que novos esclarecimentos possam ser obtidos a partir da reconstituição e da reavaliação dos elementos do processo.
















































