Para Neil Friedlander, compositor e artista de Brooklyn, escrever sempre foi o espaço onde ele podia se expressar livremente e dar vazão à sua veia literária. Mas em seu terceiro álbum, a música assumiu um papel ainda mais urgente: guiá-lo em uma jornada de autoevolução que ele tanto precisava. O resultado é The Change, um trabalho que reflete mudanças profundas na vida do artista.
O álbum, com estética indie-pop em tons pastel, mistura construção poética, viradas de frase inteligentes, introspecção corajosa e um toque de irreverência. Ele documenta dois anos cruciais na vida de Friedlander, período em que o artista se tornou sóbrio, mudou de residência várias vezes e finalmente conseguiu se desprender de um amor do passado.
“Este álbum registra o processo muito lento de se abrir para o mundo, para as pessoas e para o amor, depois de muito tempo fechado. Não quero soar místico demais, mas essas músicas me disseram coisas que eu ainda não estava pronto para ouvir”, explica Friedlander. “Eu estava perdido, e este álbum me ajudou a encontrar meu caminho de volta.”
Como compositor, Friedlander combina introspecção e um olhar quase jornalístico, registrando tanto seu mundo interno quanto o externo. Suas letras transitam por referências à cidade de Nova York, às estações do ano, à arquitetura, à natureza, aos amigos e à sobriedade. Enquanto seus dois álbuns anteriores tinham forte influência estética dos anos 1980, The Change apresenta uma abordagem renovada, produzida pelo premiado Chris Camilleri, que já trabalhou com John Legend, Barns Courtney e Lennon Stella. Camilleri ajudou a traduzir musicalmente a estética de Friedlander, marcada por “praias e guitarras”, em um som leve e envolvente.
O álbum também conta com a participação de músicos convidados de destaque, como Justin Goldner (Aloe Blacc, Anaïs Mitchell), Adam Stoler (Les Nubians, Richard Bona), Emily Hope Price (Pearl and the Beard) e Ben Thornewill (Jukebox The Ghost).
Além da música, Friedlander mantém uma carreira sólida como ator, formado em Meisner, com participações em diversas produções Off-Broadway. Recentemente, ele escreveu sua primeira peça de teatro completa, Milo & Jude, que inclui a balada “Committed”, presente em The Change.
O primeiro single do álbum, Future Life, é uma balada ao piano, enriquecida por um elegante arranjo de cello e pelos vocais expressivos de Friedlander. A faixa reflete o luto e a aceitação de um romance que não deu certo, com uma mistura de otimismo e irreverência. A inspiração para a música surgiu após o término de um relacionamento, quando Friedlander ainda guardava no coração a esperança de um reencontro. Ao assistir ao filme Past Lives, ele teve a clareza de que o amor não era destinado a se concretizar nesta vida, mas talvez em uma futura.
“Lembro-me de sair do cinema sentindo que algo havia me atingido profundamente. Finalmente entendi que não estávamos destinados a ficar juntos nesta vida. Mas, quem sabe, em uma futura. Escrever a música foi um processo de cura. Me ajudou a seguir em frente”, relata Friedlander.
Com The Change, Neil Friedlander oferece não apenas um álbum, mas um relato íntimo e poético de transformação, amor e libertação pessoal, consolidando-se como um artista que consegue transformar experiências de vida em arte sensível e envolvente.















































