Preso desde julho no Presídio Serrano Neves, no Rio de Janeiro, o rapper Oruam, de 25 anos, tem usado o tempo atrás das grades para criar seu novo álbum. O trabalho promete trazer letras sobre encarceramento, perseguição policial e o medo de ser esquecido pelo público.
O artista passou cerca de dez dias em isolamento antes de ser transferido para uma cela coletiva. Mesmo longe dos fãs, Oruam mantém a criatividade ativa e inspira respeito entre os colegas de prisão. “Ele está transformando angústia em arte”, conta um familiar.
Crianças que visitam pais no presídio já pedem autógrafos ao rapper. Entre uma visita e outra, Oruam aproveita para escrever versos e melodias que refletem a rotina difícil de quem está encarcerado, sem perder a personalidade e o humor que o público conhece.
A defesa do rapper aguarda a apreciação de um habeas corpus pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os advogados afirmam que não há comprovação de tráfico de drogas, associação ao tráfico ou qualquer arma de fogo, e que o caso tem diversas inconsistências.
“Se ele compuser um rap sobre abusos policiais, chamam de proibidão. Quando, na verdade, o proibido seria o delegado agindo de forma irregular”, declarou Nilo Batista, um dos advogados de Oruam, reforçando a sensação de injustiça em torno do caso.
Enquanto aguarda a decisão da Justiça, o rapper segue compondo e mostrando que, mesmo encarcerado, não perde a conexão com o público. O álbum, ainda sem título, promete ser um registro intenso da vida e da resistência de Oruam.







































