Entre o concreto urbano e a cabeça nas nuvens, nasce um artista que faz da própria dualidade matéria-prima. Salta, alter ego de Tauã Santos Cerqueira, é um nome em ascensão na cena independente baiana, misturando rap, MPB, trap e pop em um trabalho autoral que une vulnerabilidade e força criativa.
Natural do interior da Bahia, Tauã construiu em Salta uma extensão artística de si mesmo — um personagem que simboliza coragem e entrega total à arte. A proposta sonora parte do rap, mas atravessa ritmos como samba-reggae, zouk e bregafunk, criando uma identidade que dialoga com o urbano sem perder as raízes nordestinas.
Do EP “Sal” ao palco
O primeiro passo dessa trajetória foi o EP Sal, projeto com quatro faixas produzido em parceria com Raffa Muñoz, indicado ao Grammy pelo trabalho com Rachel Reis. O título faz referência a Salvador, ao mar e à própria essência do artista, reforçando a ideia de pertencimento e identidade.
Entre as músicas, “Ô Preta” se destaca com batidas de samba-reggae e clima praiano, narrando a tentativa de reconquistar um amor antigo. A faixa ultrapassou milhares de reproduções nas plataformas digitais, consolidando o nome de Salta no circuito independente.
O projeto ganhou desdobramento audiovisual, ampliando a narrativa estética para além do som e reforçando o cuidado conceitual do artista com sua obra.
Arte, coletivo e financiamento direto do público
A conexão com o público também se traduziu em mobilização. Uma campanha de financiamento coletivo viabilizou o espetáculo VACA – Viagens Absurdas Catastróficas, realizado no Teatro Gamboa. O show aborda temas como amor, saudade, solidão e saúde mental na era da tecnologia, e foi gravado e disponibilizado online.
A experiência reforça uma das marcas de Salta: a disposição de tratar questões emocionais contemporâneas com linguagem pop e sensível, equilibrando introspecção e performance.
Um álbum dividido entre luz e sombra
O passo seguinte é o álbum Incrivelmente Acordado, descrito como um exercício de dualidade. Dividido em dois atos, o trabalho transita de um lado mais solar e radiofônico, com influência da Nova MPB, para uma face mais experimental, onde o trap e o rap melódico assumem o protagonismo.
A proposta é clara: ser a trilha sonora de quem vive entre sonho e realidade, mas permanece desperto para as intensidades do presente. Como sintetiza a própria construção artística, “Tauã constrói o artista, e o artista constrói Tauã”.
Com milhares de streamings acumulados e uma trajetória que une independência, colaboração e identidade regional, Salta consolida sua chegada ao mercado fonográfico brasileiro apostando em autenticidade — e na força de quem transforma vivência em som.








































