A Justiça de São Paulo analisa informações prestadas por Suzane von Richthofen, de 42 anos, sobre a retirada de um carro da residência do tio materno, o médico Miguel Abdalla Netto, encontrada invadida após a morte dele. O caso integra o processo de inventário que trata da partilha de um patrimônio estimado em R$ 5 milhões.
Miguel, de 76 anos, foi encontrado morto no último dia 9 de janeiro em sua casa, na região da Bela Vista, Zona Sul da capital paulista. A suspeita inicial é de infarto, mas a causa oficial depende de laudos periciais. A investigação sobre a morte e o furto é conduzida pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo).
Invasão registrada por câmeras
Imagens de câmeras de monitoramento registraram, em 18 de janeiro, o momento em que um homem pula o muro do imóvel. Em seguida, ele aparece abrindo o portão e retirando diversos objetos da casa, com auxílio de um motorista que aguardava em uma van.
A Polícia Civil analisa as gravações para tentar identificar os suspeitos. Até o momento, não há confirmação oficial sobre quais bens teriam sido levados.
Retirada do veículo e medida emergencial
Em documento apresentado à Justiça, advogados de Suzane afirmam que ela, acompanhada de um primo do médico, decidiu retirar o veículo Subaru pertencente ao tio e providenciar a soldagem do portão e da porta da residência como medida emergencial para proteger o patrimônio.
Segundo a defesa, a ação teve como objetivo impedir novas invasões e furtos. Suzane informou que o automóvel permanece guardado em local seguro, sem uso, e está à disposição do Judiciário. De acordo com policiais, o carro estaria em Bragança Paulista, onde ela reside atualmente.
A retirada do veículo ocorreu antes de decisão judicial que a nomeou inventariante do espólio. Posteriormente, Suzane foi oficialmente designada como responsável pela administração dos bens até a conclusão da partilha. Nessa condição, ela está proibida de vender, transferir ou utilizar os itens do patrimônio, devendo apenas preservá-los.
Para a polícia, o fato de Suzane estar com o carro não configura furto.
Disputa judicial pela herança
A empresária Carmem Silvia Gonzales Magnani, prima de Miguel, registrou dois boletins de ocorrência: um por furto de objetos da residência e outro questionando a retirada de itens, incluindo o carro, antes de autorização judicial.
Apesar do registro, Carmem não apontou suspeitos pelo furto em depoimento à polícia. Ela disputa na Justiça a responsabilidade pela administração do espólio.
Como Miguel era solteiro, não tinha filhos e não deixou testamento, a herança deverá ser dividida entre os sobrinhos, conforme determina a legislação sucessória. Carmem afirma ter mantido união estável com o médico, mas não conseguiu comprovar a relação até o momento.
O irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, ainda não se manifestou no processo.
Itens valiosos no imóvel
Entre os bens que estariam na residência, segundo lista obtida pela imprensa, estão uma coleção de bonecas Barbie raras e a réplica de uma obra do artista espanhol Joan Miró. Não há confirmação oficial se esses objetos foram furtados.
Suzane ainda não foi ouvida no inquérito policial que apura a invasão.
Relembre o caso Richthofen

Em 2002, o engenheiro Manfred von Richthofen e a psiquiatra Marísia von Richthofen foram assassinados dentro da própria casa, no Campo Belo, em São Paulo.
As investigações apontaram que Suzane planejou o crime com o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian Cravinhos. O casal foi morto com golpes de barras de ferro, e os três tentaram simular um latrocínio.
Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos de prisão, e Cristian a 38 anos. Suzane deixou a prisão em 2023. Atualmente, vive em Bragança Paulista, é casada com o médico Felipe Zecchini Muniz e adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz.
A disputa pelo patrimônio do tio ocorre em meio ao histórico de um dos casos criminais mais emblemáticos do país e segue sob análise da Justiça paulista.









































