O poeta visual Tiago West morreu na noite desta quarta-feira (18), aos 40 anos, no Recife. Baiano de origem e radicado na capital pernambucana desde a infância, ele se consolidou como um dos principais nomes da arte contemporânea local, reconhecido por unir palavra e imagem em obras que abordavam política, afetos e o cotidiano urbano.
O velório e o sepultamento estão previstos para ocorrer no Memorial Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, com início a partir das 15h30, segundo informações da família.
Mal súbito e tentativa de reanimação
De acordo com comunicado divulgado nas redes sociais, Tiago estava em casa, descansando, quando passou mal por volta das 23h30. Ele conseguiu se dirigir sozinho a uma unidade médica particular, mas desmaiou cerca de três minutos antes de chegar ao hospital.
O motorista de aplicativo que o conduziu relatou à família que o artista estava lúcido ao entrar no veículo. Ainda segundo os familiares, a equipe médica realizou manobras de reanimação por aproximadamente 45 minutos, porém ele não resistiu.
O óbito foi inicialmente diagnosticado como parada cardiorrespiratória. A causa oficial da morte, no entanto, ainda depende do laudo final do Instituto Médico Legal (IML), aguardado pela família.
Trajetória marcada pela poesia visual
O interesse de Tiago West pela poesia surgiu ainda na infância, quando encontrou na escrita uma forma de expressão. Iniciou o curso de Literatura, mas não concluiu a graduação. Posteriormente, ingressou em Música e, no convívio com artistas plásticos, designers e arquitetos, desenvolveu a linguagem que marcaria sua trajetória.
A combinação entre referências literárias, musicais e visuais resultou em uma produção profundamente conectada com a identidade pernambucana. A partir de 2017, ao passar a comercializar suas obras pela internet, o artista ampliou o alcance do seu trabalho e consolidou seu nome no cenário contemporâneo.
Suas criações transitavam entre o humor e a crítica social, propondo reflexões sobre o tempo presente e a vida nas cidades. Em suas telas e intervenções, texto e imagem dialogavam de forma direta, provocando o espectador a sentir, rir e questionar.
Luto e comoção
A morte repentina causou forte comoção entre familiares, amigos e admiradores. “O coração está dilacerado”, declarou Rafael West, um dos três irmãos do artista, em mensagem publicada nas redes sociais.
Além de Rafael, Tiago deixa dois irmãos, pais, sobrinhos e uma ampla rede de amigos. “Tinha muitos amigos e sempre foi muito amado. Um artista incrível”, completou o irmão.
Nota da Prefeitura do Recife
A Prefeitura do Recife também divulgou nota de pesar, manifestando solidariedade à família e destacando a importância do legado deixado por Tiago West.
“É com surpresa e tristeza que recebemos a notícia do falecimento do artista visual Tiago West, referência de sua geração. Deixa para a cidade do Recife, através de sua meteórica e brilhante passagem pela vida, um legado imortal através de suas obras em que palavra e imagem se irmanam, levando o espectador aos mais variados sentimentos. Do riso à reflexão, as telas de West sempre foram o diálogo necessário e insubstituível na cidade do Recife”, diz o comunicado.
Com uma trajetória intensa e marcada pela experimentação estética, Tiago West deixa uma lacuna na arte contemporânea pernambucana e um conjunto de obras que seguem ecoando sua sensibilidade e seu olhar crítico sobre o mundo.










































