{"id":284975,"date":"2026-01-30T16:00:33","date_gmt":"2026-01-30T19:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/?p=284975"},"modified":"2026-01-30T16:00:36","modified_gmt":"2026-01-30T19:00:36","slug":"raquel-e-jup-do-bairro-se-unem-em-historia-mal-contada-um-hino-blues-rock-sobre-contradicoes-e-encontros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/raquel-e-jup-do-bairro-se-unem-em-historia-mal-contada-um-hino-blues-rock-sobre-contradicoes-e-encontros\/","title":{"rendered":"Raquel e Jup do Bairro se unem em \u201cHist\u00f3ria Mal Contada\u201d, um hino blues rock sobre contradi\u00e7\u00f5es e encontros"},"content":{"rendered":"<p>Um encontro que era quest\u00e3o de tempo. Os talentos de Raquel Virg\u00ednia (ex-As Ba\u00edas) e Jup do Bairro se convergem no single \u201cHist\u00f3ria Mal Contada\u201d, faixa acompanhada por um visualizer produzido pela Mescla. Mais do que uma m\u00fasica, a can\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i como um manifesto roqueiro visceral, uma tatuagem sonora que atravessa hematomas emocionais, origens apagadas e vers\u00f5es distorcidas da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A faixa nasceu de um reencontro t\u00e3o org\u00e2nico quanto potente. \u201cA gente se encontrou e come\u00e7ou a beber caipirinha atr\u00e1s de caipirinha. Entre um gole e outro, a poesia entrou em cena e um verso de Carlos Drummond de Andrade foi costurado \u00e0s hist\u00f3rias pessoais das artistas, fazendo com que a poesia come\u00e7asse a fluir. Desse caldeir\u00e3o de vulnerabilidade e identifica\u00e7\u00e3o, emergiu \u201cHist\u00f3ria Mal Contada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Raquel, Jup do Bairro - Hist\u00f3ria Mal Contada\" width=\"880\" height=\"495\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DJ7hmcsZ7g8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o consuma uma admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua que j\u00e1 dura quase uma d\u00e9cada, atravessando as fases em que Raquel brilhava no As Ba\u00edas e Jup na dupla com Linn da Quebrada. \u201c\u00c9 uma \u00e9poca muito oportuna\u201d, reflete Raquel. \u201cEla lan\u00e7ou \u2018Ju\u00edzo Final\u2019, eu lancei \u2018N\u00e3o Incendiei a Casa por Milagre\u2019. Somos duas artistas trans negras, com hist\u00f3rias moldadas nas periferias de S\u00e3o Paulo. A gente tem v\u00e1rias converg\u00eancias, e quando nos encontramos com mais tempo, a conversa fluiu para a can\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desde que a Raquel me convidou, fiquei pensando em como seria esse encontro. N\u00f3s sempre nos entendemos. Fomos amadurecendo em nossas carreiras solo e fiquei muito curiosa para saber como seria nosso reencontro na m\u00fasica. J\u00e1 nos am\u00e1vamos e t\u00ednhamos muita qu\u00edmica. Viemos compor justamente no Arouche, para entender a cidade, nosso corpo nessa cidade, nessa bagun\u00e7a, nos desejos aflorados. A necessidade de contar essa hist\u00f3ria alimentou essa can\u00e7\u00e3o. \u00c9 nossa vers\u00e3o, dirigida a um anti-amor, a algu\u00e9m que passou na nossa vida, mas, principalmente, a n\u00f3s mesmos. Inventamos novas possibilidades e falamos sobre um amor que possa nos caber&#8221;, reflete Jup do Bairro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHist\u00f3ria Mal Contada\u201d n\u00e3o \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de amor rom\u00e2ntico. \u00c9 um blues-rock \u00e1cido que investiga as feridas que n\u00e3o cicatrizam e as narrativas que nos definem \u00e0 nossa revelia. \u201cAcho que a nossa pr\u00f3pria origem j\u00e1 \u00e9 uma hist\u00f3ria mal contada. A maioria das pessoas negras n\u00e3o conhece suas origens\u201d, afirma Raquel, tocando no cerne da quest\u00e3o. \u201cAs pessoas trans tamb\u00e9m t\u00eam muitas hist\u00f3rias mal contadas. Essa m\u00fasica carrega isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A letra \u00e9 um invent\u00e1rio de \u201chematomas que voc\u00ea n\u00e3o deixa o outro em voc\u00ea\u201d \u2013 marcas indel\u00e9veis que permanecem mesmo depois que a porta de um ciclo se fecha. \u201c\u00c9 sobre o quanto de hist\u00f3rias mal contadas existem sobre nossas vidas, sobre nossas comunidades\u201d, explica a artista. \u201cTem muita coisa que a gente simplesmente escolhe fechar a porta e seguir. Mas a gente vai sempre carregar aquele hematoma. No final, quem vence dita a vers\u00e3o. O outro lado fica sempre com a hist\u00f3ria mal contada\u201d, filosofa a compositora.<\/p>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o por uma levada roqueira agressiva e envolvente \u00e9 profundamente intencional. Para Raquel, o g\u00eanero \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o sonora mais fiel de seus estados de esp\u00edrito. \u201cA sonoridade da guitarra, da bateria, do baixo, essa explos\u00e3o que o rock proporciona\u2026 hoje consigo traduzir melhor minhas sensa\u00e7\u00f5es\u201d, compartilha. \u201cEstou com raiva das coisas. Sou melanc\u00f3lica, sou solit\u00e1ria. E o rock acaba sendo uma \u00f3tima linguagem para a solid\u00e3o, para a raiva, para a melancolia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o no Sesc Pompeia traz um simbolismo a mais: for\u00e7a. Raquel admite que subir ao palco tem se tornado um ato cada vez mais carregado. \u201cCada vez tenho sentido mais dificuldade. Talvez porque tenha se tornado menos banal para mim. Hoje, carrego um peso t\u00e9cnico, conceitual, est\u00e9tico, sinto a press\u00e3o das cantoras que vieram antes, a press\u00e3o do p\u00fablico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a oportunidade de dividir a noite com Jup e Jadsa \u00e9 um ant\u00eddoto contra a ansiedade. \u201cTr\u00eas artistas negras fazendo m\u00fasica \u00e9 sempre motivo para festejar. Hoje, esse tipo de movimento n\u00e3o pode ser visto como casual. \u00c9 um encontro potente num palco importante. Tem que virar festa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeira colabora\u00e7\u00e3o entre as gigantes da cena musical brasileira nasce de noite de poesia, caipirinhas e confiss\u00f5es no Largo do Arouche.<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":284977,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[154],"tags":[],"class_list":["post-284975","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=284975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/284975\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/284977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=284975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=284975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=284975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}