{"id":78264,"date":"2021-03-10T15:07:37","date_gmt":"2021-03-10T18:07:37","guid":{"rendered":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/?p=78264"},"modified":"2021-03-10T15:07:42","modified_gmt":"2021-03-10T18:07:42","slug":"entrevista-junior-cordeiro-quando-a-gente-ainda-revelava-fotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalpopmais.com.br\/en\/entrevista-junior-cordeiro-quando-a-gente-ainda-revelava-fotos\/","title":{"rendered":"&#8220;Quando a Gente Ainda Revelava Fotos&#8221;: J\u00fanior Cordeiro critica a impessoalidade das rela\u00e7\u00f5es modernas em novo clipe"},"content":{"rendered":"<p>A experi\u00eancia do &#8220;cara-a-cara&#8221; ficou um pouco de lado com a pandemia, mas, mesmo antes disso, a tecnologia j\u00e1 nos afastava uns dos outros e esfriava o calor do encontro presencial e do contato f\u00edsico. Voltando entre 20 e 30 anos no tempo, a gente se depara com um outro momento, em que pouca coisa podia ser feita de forma digital. Esse \u00e9 justamente o tema de &#8220;<strong>Quando a Gente Ainda Revelava Fotos<\/strong>&#8220;, novo clipe do artista paraibano\u00a0<strong>J\u00fanior Cordeiro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com concep\u00e7\u00e3o, roteiro e dire\u00e7\u00e3o da artista\u00a0<strong>Renata Cabral<\/strong>, o v\u00eddeo explora quest\u00f5es mais simb\u00f3licas que permeiam o que \u00e9 dito pela can\u00e7\u00e3o. A cada vez mais defasada conviv\u00eancia f\u00edsica, potencializada pelo coronav\u00edrus, passa uma sensa\u00e7\u00e3o de que vivemos com cada vez mais medo e com uma necessidade cada vez maior de prote\u00e7\u00e3o. Para tra\u00e7ar di\u00e1logos com outras \u00e9pocas, o clipe ainda contempla paralelos com outras obras cl\u00e1ssicas. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00fanior Cordeiro \u00e9 um artista \u00edmpar! J\u00e1 incursionou por praticamente todos os segmentos de m\u00fasica nordestina, bem como por v\u00e1rias vertentes do rock, sobretudo o rock progressivo, o blues e o hard rock. Ele aceitou conversar com o POP Mais sobre seu novo lan\u00e7amento, e contou ainda detalhes sobre sua trajet\u00f3ria e inspira\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Videoclipe QUANDO A GENTE AINDA REVELAVA FOTOS\" width=\"880\" height=\"495\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0YG9zhlZcws?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>J\u00fanior, em seus 15 anos de carreira, voc\u00ea coleciona sete discos e dois DVDs. Qual \u00e9 sua sensa\u00e7\u00e3o ao refletir sobre toda a sua trajet\u00f3ria at\u00e9 aqui?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sensa\u00e7\u00e3o de \u00eaxito, apesar de saber que tenho muito a caminhar ainda na artesania da minha obra. Todavia, sabendo das imensas dificuldades pelas quais os artistas independentes passam, com pouca ades\u00e3o midi\u00e1tica e pouco apoio de grandes patroc\u00ednios, \u00e9 de fato uma vit\u00f3ria consider\u00e1vel chegar a essa marca na carreira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><br> A sua est\u00e9tica sonora aborda uma mistura de g\u00eaneros de m\u00fasica nordestina com o rock &#8216;n roll. Quais s\u00e3o as suas principais refer\u00eancias musicais?\u00a0<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em>Sempre segui a linha (que j\u00e1 virou uma tradi\u00e7\u00e3o) dos artistas setentistas nordestinos, que sempre\u00a0mesclaram\u00a0muito bem os g\u00eaneros do Nordeste com o Rock n Roll. Ao meu ver, tenho uma particularidade nesse campo, em virtude da fus\u00e3o intensa das guitarras pesadas e et\u00e9reas com a viola do cantador nordestino, e n\u00e3o tanto com a sanfona, como \u00e9 mais comum de se ver no Nordeste. Gosto de abordar temas mais complexos sobre a exist\u00eancia humana, com grande influ\u00eancia da filosofia, sobretudo na \u00e1rea da metaf\u00edsica. Mesmo com v\u00e1rias peculiaridades, tenho o mesmo c\u00f3digo sonoro dos meus predecessores, minhas maiores influ\u00eancias:\u00a0\u00a0Ave Sangria, Lula\u00a0Cortes,\u00a0Z\u00e9 Ramalho e Alceu Valen\u00e7a. Tenho tamb\u00e9m bastante influ\u00eancia do Rock Progressivo brit\u00e2nico, como: Yes. Pink Floyd, Camel, Genesis, etc&#8230; O peso fica mais por conta das bandas de Hard Rock e Heavy Metal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1170\" height=\"464\" src=\"https:\/\/portalpopmais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Os-Amantes-1170x464.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-78266\" title=\"\"><figcaption>Cenas do clipe &#8220;Quando a Gente Ainda Revelava Fotos&#8221; (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong><br>Falando sobre composi\u00e7\u00e3o, onde voc\u00ea costuma buscar inspira\u00e7\u00e3o para as suas letras?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Minha maior inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 a mem\u00f3ria popular, o imagin\u00e1rio coletivo e os s\u00edmbolos da cultura popular. Junto a isso, de tudo que ouvi e convivi dentro da tradi\u00e7\u00e3o oral, existem leituras insistentes no campo da filosofia e, sobretudo, da literatura. N\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 disco meu onde eu n\u00e3o fa\u00e7a refer\u00eancias liter\u00e1rias, pertinentes aos temas que abordo nas minhas letras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea acaba de lan\u00e7ar o clipe da m\u00fasica &#8220;Quando a Gente Ainda Revelava Fotos&#8221;. Conta pra n\u00f3s o que te inspirou a escrever o single.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando a Gente Ainda Revelava Fotos \u00e9 uma m\u00fasica integrante do #C\u00e2maraEco, meu s\u00e9timo disco, recentemente lan\u00e7ado. Escolhi essa m\u00fasica para o clipe porque ela \u00e9 a ep\u00edtome do discurso tem\u00e1tico do \u00e1lbum, \u00e9 como uma am\u00e1lgama de todos os temas que abordo em todas as letras. \u00c9 uma grande alegoria da nostalgia que causa a lembran\u00e7a do passado e a incerteza sobre nosso futuro,\u00a0consubistanciada\u00a0no assunto FOTOGRAFIA. Escolhi falar das fotos impressas como forma a remeter mem\u00f3rias, lembran\u00e7as e\u00a0retrotopias,\u00a0o que, de certa forma, acabam aliviando a nossa\u00a0\u00a0neur\u00f3tica correria e fugacidade na p\u00f3s-modernidade l\u00edquida e globalizante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O clipe, roteirizado e dirigido por Renata Cabral, traz releituras de obras do artista surrealista belga Ren\u00e9 Magritte e do fot\u00f3grafo norte-americano Man Ray. Como foi acompanhar o processo de produ\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo?<\/strong>\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foi uma boa simbiose entre texto e imagem, entre pintura e poesia. Renata conhece bem a minha obra e acompanhou de perto o processo de cria\u00e7\u00e3o desse disco e dessa m\u00fasica em particular, pela nossa conviv\u00eancia, pois somos casados. Achei\u00a0\u00a0fant\u00e1sticas as analogias imag\u00e9ticas com Magritte e Man Ray. Da\u00ed tudo fluiu bem naturalmente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outro fato interessante, \u00e9 que o clipe tem uma vers\u00e3o alternativa em libras, realizada pelo int\u00e9rprete Josy Esc\u00f3rcio. Algo que \u00e9 essencial, mas ainda n\u00e3o \u00e9 comum de vermos nos lan\u00e7amentos. Como surgiu a ideia de criar essa vers\u00e3o acess\u00edvel para os deficientes auditivos?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>A ideia surgiu de Renata, imediatamente por mim aprovada. A inser\u00e7\u00e3o do p\u00fablico surdo na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do mundo \u00e9 essencial. Acho bastante excludente algo que tenha carga sonora e de mensagem n\u00e3o fazer parte do mundo dos deficientes auditivos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A m\u00fasica &#8220;Quando a Gente Ainda Revelava Fotos&#8221; integra o #c\u00e2maraeco, seu mais recente disco, lan\u00e7ado em janeiro deste ano. Nos conte um pouco sobre o \u00e1lbum e como tem sido acompanhar os resultados do p\u00f3s-lan\u00e7amento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O #C\u00e2maraEco \u00e9 um disco todo imerso na ideia de p\u00f3s-modernidade l\u00edquida e, por conseguinte, com grande influ\u00eancia das postula\u00e7\u00f5es de\u00a0Sygmunt\u00a0Bauman. Entretanto, n\u00e3o abordo somente esse tema fixo nas letras, tampouco cito somente esse autor. Trato tamb\u00e9m de temas pol\u00edticos e atemporais na sociedade brasileira, inclusive em flertes\u00a0\u00a0com assuntos da sociologia. A recep\u00e7\u00e3o nas plataformas tem sido bastante entusiasmante, e o disco est\u00e1 sendo bastante ouvido. Tenho ainda mais expectativas para quando o disco chegar em seu formato f\u00edsico: LP VINIL 180 g.\u00a0<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A experi\u00eancia do &#8220;cara-a-cara&#8221; ficou um pouco de lado com a pandemia, mas, mesmo antes disso, a tecnologia j\u00e1 nos afastava uns dos outros e esfriava o calor do encontro presencial e do contato f\u00edsico. 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