Nos últimos anos, diversos nomes conhecidos do público brasileiro e internacional enfrentaram batalhas contra tumores no intestino, uma doença silenciosa e, muitas vezes, detectada em estágio avançado. Alguns deles não resistiram às complicações da enfermidade, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da conscientização sobre a prevenção do câncer colorretal.
O caso mais recente foi do ator Maurício Silveira, que faleceu no último sábado (2), após complicações da cirurgia para a retirada do tumor.
Confira alguns nomes que também foram vítima de câncer de intestino:

Chadwick Boseman: O astro de “Pantera Negra” faleceu em 2020, aos 43 anos, após lutar contra o câncer colorretal por quatro anos.

Pelé: O “Rei do Futebol” faleceu em 2022, aos 82 anos, após lutar contra um câncer no cólon.

Luis Gustavo: O ator faleceu em 2021, aos 87 anos, após complicações de um câncer no intestino, diagnosticado em 2018.

Preta Gil: A cantora faleceu em 2025, aos 50 anos, após complicações de um câncer colorretal, diagnosticado em janeiro de 2023.
Sintomas e prevenção
No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a previsão é de aproximadamente 45.630 novos casos de câncer colorretal por ano entre 2023 e 2025, com um risco estimado de 21,10 casos por 100 mil habitantes. A doença ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no país, sendo mais incidente nas regiões Sudeste e Sul.
O coordenador médico do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. Antônio Cavaleiro, alerta que esse aumento da incidência entre jovens pode estar diretamente ligado a fatores como dieta rica em ultraprocessados, sedentarismo, obesidade e alterações na flora intestinal. “Os dados são um alerta importante, pois apontam uma tendência preocupante que pode impactar também os jovens brasileiros”, afirma o especialista.
Cavaleiro ressalta que a detecção precoce do câncer colorretal nessa faixa etária ainda é um desafio. “Por ser mais comum em adultos acima dos 50 anos, o câncer colorretal muitas vezes não é considerado em um primeiro momento quando pacientes jovens apresentam sintomas. Além disso, queixas como mudanças no hábito intestinal e fadiga costumam ser atribuídas a outras condições, retardando a busca por exames adequados”, explica o oncologista.
O câncer colorretal precoce está associado a diversos fatores de risco, entre eles o histórico familiar da doença, a obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool. Além disso, uma dieta pobre em fibras e rica em ultraprocessados e carne vermelha, bem como o uso excessivo de antibióticos que podem alterar a flora intestinal, também são aspectos relevantes. Doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, aumentam ainda mais a vulnerabilidade. “A influência desses fatores na incidência do câncer colorretal precoce é evidente. Precisamos reforçar a conscientização e incentivar hábitos saudáveis desde cedo”, destaca o oncologista.
A prevenção passa, principalmente, por um estilo de vida mais equilibrado. Adotar uma alimentação rica em fibras, priorizando frutas, vegetais e grãos integrais, e reduzir o consumo de carnes processadas e ultraprocessados pode ser um primeiro passo. A prática regular de atividade física, o controle do peso corporal e a moderação no consumo de álcool são igualmente essenciais. Para aqueles com histórico familiar, o monitoramento deve ser mais rigoroso, com exames preventivos regulares e, quando indicado, testes genéticos. “A chave está na prevenção. Pequenas mudanças no dia a dia fazem toda a diferença na redução do risco da doença”, reforça Cavaleiro.
Sintomas de alerta para buscar avaliação médica
- Presença de sangue nas fezes
- Mudança persistente no hábito intestinal (diarreia ou constipação)
- Dor abdominal frequente ou sensação de evacuação incompleta
- Perda de peso inexplicável
- Fadiga, fraqueza e anemia crônica
A conscientização sobre os sinais e fatores de risco é essencial para frear o avanço do câncer colorretal entre jovens adultos. “A mudança no estilo de vida, aliada à atenção aos sintomas e ao rastreamento precoce, é fundamental para reverter essa tendência preocupante”, conclui o médico.








































