O jornalista Mino Carta morreu nesta terça-feira (2), aos 91 anos, em São Paulo. Fundador e diretor de redação da revista CartaCapital, ele estava internado há duas semanas na UTI do hospital Sírio-Libanês. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em Gênova, na Itália, em 1933, Demetrio Carta, que ficaria conhecido como Mino, chegou ao Brasil em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, acompanhado dos pais. Em São Paulo, chegou a ingressar no curso de Direito da USP, mas não concluiu a graduação, optando pelo caminho do jornalismo — profissão que marcaria sua vida.
A ligação com a imprensa vinha de família. Seu avô materno, Luigi Becherucci, havia sido diretor do jornal genovês Caffaro, de onde foi afastado durante a perseguição fascista. Já o pai, Giannino Carta, chegou a ser preso pelo regime de Benito Mussolini antes de emigrar para o Brasil, onde recebeu convite para dirigir a Folha de S. Paulo — cargo que não pôde assumir por ser estrangeiro.
Mino costumava contar que seu interesse pelo jornalismo nasceu de uma paixão pelo futebol. Em entrevista ao Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), lembrou que seu pai foi convidado para escrever sobre os preparativos para a Copa do Mundo de 1950. Como não gostava do esporte, repassou a tarefa ao filho, que aceitou motivado pelo pagamento: “Pensei: com esse dinheiro dá para mandar fazer um terno azul-marinho”, relembrou.
Ao longo da carreira, Mino Carta fundou e dirigiu alguns dos veículos mais importantes da imprensa brasileira, como as revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital, além do tradicional Jornal da Tarde.
Durante sua passagem pela Veja, em plena ditadura militar, destacou a criatividade exigida para driblar os censores: “Era ótimo, de verdade. Porque aí a questão que se impunha era ludibriar os censores, na medida do possível, e os donos da casa também. Confesso que me esbaldei”, disse em entrevista ao IREE.
Reconhecido por sua contribuição ao jornalismo, recebeu o título de doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero e, em 2006, foi eleito Jornalista Brasileiro de Maior Destaque pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE).
Além da atuação na imprensa, também se dedicou à literatura, escrevendo romances e livros de não ficção. Entre suas obras estão O Castelo de Âmbar e Histórias da Mooca, com as bênçãos de San Gennaro.
O legado de Mino Carta permanece vivo como símbolo de resistência, criatividade e crítica no jornalismo brasileiro.









































