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Janine Mathias transforma fé, flow e afeto em som no disco “O Rap do Meu Samba”

Com participação de Criolo, o trabalho celebra a ancestralidade e reafirma a força feminina na cena da música preta.

Janine Mathias transforma fé, flow e afeto em som no disco O Rap do Meu Samba
Foto: Divulgação

Lançado nesta terça-feira, 7 de outubro, o segundo álbum de Janine Mathias, “O Rap do Meu Samba”, une dois baluartes da musicalidade preta — o rap e o samba — em uma obra que reafirma suas raízes e experimentações. Os ritmos criados e encabeçados por pessoas pretas são variados e moldaram tudo que é feito em música pop no mundo. Há décadas, o hip hop domina as principais paradas musicais e também é um dos gêneros mais populares do Brasil. Falando do nosso país, há a influência inegável da africanidade, que deu origem ao samba, por exemplo. É nesse cruzamento que Janine apresenta o disco, com produção de Rodrigo Campos e participação especial de Criolo.

Uma das faixas presentes no álbum é “Devoção”, que ganhou videoclipe (assista aqui) com bonita fotografia captando Janine com seu filho Khalil no colo. O clipe foi gravado em um único dia e a música disserta sobre como o estilo de vida e a sensação de pertencimento da cantora é moldado pelo samba. A canção é uma composição conjunta entre Rodrigo Paulo, Léo Fé e Nego Chandi. O disco conta com mais dois videoclipes: “A Bahia Virá”, composição de Rodrigo Campos e Rômulo Fróes produção audiovisual de Odara Filmes, e “Me Enfeita” , composição Raissa Fayet produção audiovisual de Old Cat Estúdio.

Escrevendo poesia desde criança, a cantora brasiliense, hoje residente em Curitiba, tem no RAP e no Samba o suporte musical ancestral que tem guiado sua carreira. Essa mistura deu as caras no álbum ‘Dendê, onde a cantora interpreta canções de Martinho da Vila, Tássia Reis, Nei Lopes e Val Andrade, além de composições próprias, cantando samba, mas trazendo o groove do hip hop, reforçado ainda com a participação de Rincon Sapiência “Na minha cabeça não existe separação entre esses ritmos, minhas origens me trouxeram até aqui, “o rap é minha paixão e o samba minha história”, meu berço que se encontrou nas vielas, e toda uma trajetória construída eu traduzo no meu novo disco”, conta a cantora que trabalhou nesse disco com Fábio Leandro, Júlio Fejuca, João Millet, Jaque Cunha, músicos que tem sido realizadores da música preta contemporânea nacional, tocando e produzindo para Liniker, Xênia França, Elza Soares, Clarianas, Gaby Amarantos, Josi Lopes, Janine Mathias, Criolo, Luedji Luna, Bia Ferreira, Baianasystem, entre outros.

Há uma profunda e sincera declaração de amor de Janine à sua memória afetiva musical contida em “O RAP do meu Samba”. “Eu canto samba porque o samba é minha religião. Mais que um dom, minha devoção, minha razão pra sonhar”, diz os versos da deliciosa homenagem ao gênero em ‘Devoção’. “Esse disco é de samba, mas leva esse nome porque eu quero que as pessoas entendam de onde eu vim e para mim tem essa estética que faz sentido do rap e samba ter origens parecidas. Uma trajetória de conexões já recebi muitos MC´s que tocavam na cidade na minha casa, entre festas e grandes amizades, quero expor minha proximidade com o hip hop aos ouvintes”, conta Janine.

Talvez, para quem ouvir o disco sem conhecer a história de Janine Mathias, o título soe estranho devido à predominância da sonoridade sambista em detrimento do rap, mas a cantora explica que é pelo simbolismo e motivação do estilo em sua história de vida que se justifica a homenagem em “O Rap do meu Samba”, álbum que está pronto desde 2020, abre seu espaço com a canção “Deixa Pra Lá” de Leci Brandão em uma versão . “Tivemos o desfile lindo da Vai-Vai no carnaval de São Paulo, trazendo participação do Mano Brown e homenageando um clássico como “Sobrevivendo no Inferno”. O samba, assim como o rap, nasce do povo oprimido e foi marginalizado por muito tempo. Eu trago essa homenagem ao mesmo tempo que as pessoas reconhecem as duas expressões como algo imprescindível na história da música brasileira, mas também foi da minha, formando meu caráter e minha música”. E de fato, o desfile histórico da Vai-Vai no Carnaval 2024 trouxe com força a união das expressões musicais antes tidas como marginalizadas, incluindo uma homenagem aos DJs, representados pela figura de Erick Jay, considerado um dos melhores do mundo. Já fiquei com Dj Nyac, Dj Donna, Dj Bk12, Dj PK, Dj Caê, Dj Miria Alves, Dj Mitay, Dj Vivian Marques, Dj Wil e tantos outros que me inspiraram.

Sem a música, Janine Mathias não existiria. Sem o samba, sem o rap, sem a cultura oriunda das periferias, a cantora não teria feito sua primeira turnê europeia em fevereiro. Uma conquista que a cantora que frequentava batalhas de rimas em Brasília celebra. “A garota que começou no refrão de rap fica feliz porque na verdade foi o rap que me transformou e me colocou na música”, comenta Janine, que fez parte dos MCs de classe, uma roda de rima com MCs de Brasília e aprendeu neste caminho a admirar rappers mulheres como Thabata Lorena, Flora Matos, Karol Conká, Nega Gizza, Dina Di, Negra Li e o ícone Erykah Badu.

Totalmente inteirada da cena musical a qual pertence, a intérprete se inspira tanto em nomes contemporâneos da música preta brasileira como Luedji Luna, Jota.Pê, Rincon Sapiência, Tássia Reis e Criolo como na ancestralidade de lendas como Leci Brandão, Dona Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra,, Zeca Pagodinho, Zé Keti, Fundo de Quintal, Elza Soares, Arlindo Cruz, Nilze Carvalho, Miltinho, Riachão e Fabiana Cozza.

A preciosa produção musical e mixagem de Rodrigo Campos trouxe a “Rap do Meu Samba” a elegância de faixas como a gostosa “Me Ilumina”, composição da própria Janine Mathias, que ganha como tempero boas sacadas em sua linha de baixo, encorpando a canção sem ofuscar os instrumentos característicos do gênero como repique, pandeiro e cavaquinho, um samba roque. E para quem estranhar o título do disco em um projeto que parece mergulhar no estudo do samba, repare nas programações eletrônicas de “Me Enfeita”, composição de Raissa Fayet e música que entraria facilmente no setlist de rappers como Baco Exu do Blues ou o supracitado Rincon Sapiência. Mas se é por falta de uma estrutura tradicional de RAP, a cantora manda firme nos versos de “Barracão é Seu”, faixa que traz a especialíssima participação do rapper paulistano Criolo. “Eu estava meio desacreditada de mim, tinha muito tempo que ficamos de gravar juntos mas enviei a faixa para ele, não achei que fosse rolar e sempre muito solicito finalmente essa parceria acabou acontecendo. Uma aula de generosidade, reconhecimento e carinho, quando vocês ouvirem essa música, saiba que aqui estão dois amigos, o Criolo é pra mim um irmão, um afago que me faz ter certeza que vale a pena sermos tranquilos”, reflete Janine.

“O Rodrigo Campos foi uma indicação do DJ Marco Antônio, que ao me apresentar Rodrigo me uniu aos instrumentistas maravilhosos que fizeram da gravação desse disco uma experiência inesquecível. Quando vi Thomas Harres (Bateria) e Zé Nigro (baixo) na minha frente, eu cantava e eles escutavam e arranjavam as músicas, eu agradecia por dentro cada segundo do que me foi proporcionado. Era minha primeira vez em um estúdio com a estrutura que YB Music me deu, e eu me senti em casa”, confidencia Janine que pela primeira vez na carreira participou de cada arranjo.

Abrir os trabalhos desse disco com Devoção de Rodrigo Paulo, faixa que a cantora ganhou de seu padrinho Léo Fé e Nego Chandi também compositores desta obra é uma afirmação a Curitiba que samba e tem um celeiro artístico que Janine pretende continuar fomentando através dos seus projetos e parcerias levando para o mundo esse show com os músicos que estão com ela nesse caminho. Um disco para dialogar com a ancestralidade e saudar o agora: O RAP do Meu Samba.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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