Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta quinta-feira (6) revelam trechos de entrevistas realizadas pelo FBI em 2019 com uma mulher que afirma ter sido vítima de abuso sexual na adolescência. No depoimento, ela acusa o ex-presidente Donald Trump de tê-la estuprado na década de 1980 após ter sido apresentada a ele pelo financista Jeffrey Epstein.
A identidade da mulher não foi divulgada. Segundo o relato, ela tinha entre 13 e 15 anos quando Epstein a levou para um encontro com Trump em um prédio descrito como “muito alto, com salas grandes”, localizado em Nova York ou Nova Jersey.

Veja também:
- Andrew Mountbatten-Windsor é preso em investigação ligada ao caso Jeffrey Epstein
- Luciana Gimenez nega envolvimento no caso Epstein e diz ter “nojo, repúdio e ódio” do empresário
De acordo com a entrevista registrada pelos agentes federais, a jovem foi apresentada ao então empresário em uma sala onde outras pessoas também estavam presentes. Ela afirma que Trump teria demonstrado desagrado com sua aparência, descrita no depoimento como de uma “tomboy” — termo em inglês utilizado para meninas que adotam comportamentos ou estilos tradicionalmente associados ao universo masculino.
Ainda segundo o relato, Trump teria pedido que as demais pessoas deixassem o local e feito um comentário sobre “ensinar como meninas pequenas deveriam se comportar”. A mulher afirmou que, em seguida, ele teria iniciado um abuso sexual.
O depoimento diz que a adolescente reagiu mordendo Trump, após ele tentar forçá-la a um ato sexual. Segundo a versão apresentada à investigação, ele teria reagido puxando o cabelo dela e desferindo um soco em sua cabeça, antes de ordenar que outras pessoas a retirassem da sala. Os documentos divulgados não detalham como a situação terminou ou como a jovem deixou o local.

Casa Branca nega acusações
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou as alegações como “completamente infundadas” e afirmou que não há evidências confiáveis que sustentem o relato.
Em declaração, ela também argumentou que o Departamento de Justiça já tinha conhecimento dessas acusações há cerca de quatro anos e não tomou medidas contra Trump.
Segundo Leavitt, isso demonstraria que as autoridades concluíram que o então presidente não havia cometido irregularidades. “Como já dissemos inúmeras vezes, o presidente Trump foi totalmente exonerado com a divulgação dos Arquivos Epstein”, afirmou.
Investigação sobre possível ocultação de documentos
A divulgação do depoimento ocorre em meio a uma investigação conduzida pelo Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que analisa se documentos ligados ao caso Epstein foram indevidamente mantidos em sigilo.
Na semana passada, o deputado democrata Robert Garcia afirmou nas redes sociais que integrantes da comissão investigam há semanas a atuação do FBI em relação às alegações feitas pela mulher.
Segundo Garcia, há indícios de que entrevistas conduzidas pelo FBI com a suposta vítima tenham sido “retidas ilegalmente” pelo Departamento de Justiça.
O órgão federal rebateu as acusações e afirmou que nenhum documento foi ocultado. Em resposta pública, o departamento declarou que eventuais remoções temporárias ocorreram apenas para proteger informações pessoais ou dados que pudessem identificar vítimas.
De acordo com o comunicado, todos os arquivos solicitados foram disponibilizados, exceto aqueles classificados como duplicados, confidenciais ou relacionados a investigações federais ainda em andamento.











































