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Grisa lança álbum-livro baseado na série “Olho Mágico”, fenômeno popular dos anos 1990

Imagens revelam figuras ocultas e tridimensionais a partir de um truque ótico, e formam a narrativa auditiva e visual do álbum “Amor Trespasse”

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Divulgação

Aperte os olhos e veja além da superfície. Tente perder o controle, ficar vulnerável por um segundo e atravessar a imagem. Esses comandos são tão metafóricos quanto literais quando se trata do novo livro da multiartista Giovana Ribeiro Santos (Grisa), Amor Trespasse, lançado pelo coletivo editorial Baboon nesta sexta-feira (13), na Descabeça Livros, bem no coração da cidade de São Paulo.

O evento será na Descabeça Livros, bem no coração da cidade de São Paulo, contando com um bate-papo com a artista e os editores da Baboon, Lia Petrelli e Rodrigo Qohen, que concretizaram o livro-objeto. Na noite de lançamento, o público poderá participar de uma conversa intimista sobre a obra, participar das declamações dos poemas-canção que compõem o livro e, claro, adquirir um exemplar para experienciar música, poesia e imagem de diversas formas. Durante o evento, Grisa fará a última apresentação do álbum na íntegra.

Além do evento em destaque, a artista lançou nesta quarta-feira (11) a Session “Grisa na Casa Rockambole” no YouTube, Vídeo produzido por Gabriella Leonor, no qual, acompanhada de sua banda (Gil Mosolino no baixo, Jonatas Marques na bateria e Henrique Seibane na guitarra e sintetizador), toca canções do novo álbum, antigas e inéditas. Além disso, nesta quinta-feira (12), chega também às plataformas o single Trailers do futuro, feat. com a banda Cidade Dormitório. A cantora fará uma participação no show da banda no Lollapalooza.

Sobre a obra

O lançamento marca o encerramento do ciclo da produção multimídia de Amor Trespasse, álbum homônimo ao livro da cantora, compositora e instrumentista, lançado pela midsummer madness no ano passado. Cada imagem do livro corresponde a uma faixa do disco. Essa correspondência direta entre som e imagem é o eixo central da obra, e característica da produção da artista.

Assim como nas ilustrações de “olho mágico”, em que é preciso atravessar a superfície visual para acessar uma forma escondida, as canções de Amor Trespasse também operam por camadas. Partem de uma estrutura minimalista e íntima para revelar, aos poucos, emoções densas e complexas. Impermanência, reencontro e dissolução das fronteiras entre o eu e o outro atravessam as letras e encontram eco na própria dinâmica perceptiva das imagens.

A ideia surgiu quase por acaso, quando a artista encontrou a obra de 1990 na casa de seus melhores amigos, Jô e Gabai, e ficou em êxtase. “Na hora que a imagem apareceu, foi quase mágica”, lembra. “Ela simplesmente surgiu em 3D, por trás do livro, num lugar que parecia fora do plano espaçotemporal convencional. Eu levei um susto, dei um grito e depois fiquei obcecada”, relembra.

A experiência visual acabou abrindo um caminho conceitual para o projeto que viria depois. “Você precisa abandonar a superfície para ver a imagem”, explica. “E isso me faz pensar muito sobre os sentimentos, sobre como, às vezes, é preciso atravessar a superfície para acessar o que está dentro de alguém.”

Essa lógica de atravessamento, presente tanto nas imagens quanto nas canções, se tornou o princípio organizador de Amor Trespasse. No livro, cada figura funciona como um pequeno enigma visual que guarda um símbolo associado à faixa correspondente. “É como se fosse um relicário de arquétipos”, diz a artista. “Existe um símbolo ali dentro, quase como um segredo. Mas você precisa atravessar a imagem para que ele se revele.”

A proposta, portanto, não é apenas ilustrar as músicas, mas criar uma espécie de díptico perceptivo. Ao observar cada imagem enquanto escuta a faixa correspondente, o público é convidado a experimentar um deslocamento simultâneo do olhar e da escuta. “As músicas e as imagens compartilham essa mesma forma de existir”, resume Grisa. “Elas ficam na superfície, mas também permitem mergulhar.”

O projeto gráfico do livro acompanha este enigma, já que a escolha da artista junto aos editores foi de transformá-lo num livro objeto que remete ao formato de um disco LP, guardado por uma luva que só revelará seu conteúdo, também inovador, diante da curiosidade de seu leitor.

A escolha do local do lançamento do livro tampouco é casual. Frequentadora antiga da galeria, Grisa vê no local uma afinidade natural com o projeto. “Sempre gostei muito da Descabeça, da curadoria deles, da atmosfera do lugar. É um espaço intimista, que combina totalmente com a proposta do álbum-livro”, conclui.

Conheça o trabalho de Grisa:

Além do evento em destaque, hoje (11) vai ao ar a Session “Grisa na Casa Rockambole” no YouTube. Vídeo produzido por Gabriella Leonor, no qual, acompanhada de sua banda (Gil Mosolino no baixo, Jonatas Marques na bateria e Henrique Seibane na guitarra e sintetizador), Grisa toca o álbum Amor Trespasse e outras músicas de sua discografia, entre antigas e inéditas.

Além disso, nesta quinta-feira (12), chega também às plataformas o single Trailers do futuro, feat. com a banda Cidade Dormitório.

SERVIÇO:

Evento de lançamento do livro Amor Trespasse
13 de março 2026 (sexta-feira), das 19h às 22h
19h30 bate-papo e leitura de poemas | 20h30 show do álbum “Amor Trespasse”

Galeria Metrópole – Descabeça Livros
Av. São Luís, 187 – 1º Andar , Loja 9
República, São Paulo – SP

Preço do livro: R$ 80
Editora: Baboon
ISBN: 978-65-01-94648-1
Livro-objeto ; 30p. ; color.

Sobre a artista


Nascida em Assis, no interior do estado de São Paulo, Giovana Ribeiro Santos (Grisa) teve contato com a música ainda muito jovem. Aos 3 anos, começou a tocar flauta doce. De lá, migraria para o clarinete – também instrumento de sopro – fazendo parte da Big Band Lyra. Aos 13 anos participou da orquestra no Festival de Música de Ourinhos.

“Lembro de, naquele momento, ter uma experiência sensorial alucinante ao me apresentar pela primeira vez com uma orquestra e me sentir arrepiar com os sons dos instrumentos, foi como se tivessem inundado o espaço à minha volta, e atingido o mesmo lugar invisível em que sinto minha alma existir. Aquilo me tocou permanentemente e, desde então, passei a trilhar de forma ainda mais intensa meu caminho pela música”, pontua.

Grisa, no entanto, percorreu caminhos pouco convencionais pela arte. Formada em engenharia mecânica pela Unicamp, fez mestrado em Engenharia de Vibrações, Acústica e Sensores pela École Nationale Supérieure d’Ingénieurs du Mans, na Universidade de Le Mans, na França.

Depois, ainda emendou um duplo mestrado em Acústica Teórica e Pesquisa Científica, na Faculté des Sciences et Techniques, na mesma cidade francesa.

Entre trabalhos acadêmicos pela Europa e ateliers de lutheria, aprendeu a construir instrumentos, e pesquisou sobre eletrônica aplicada à construção de equipamentos de áudio, além de eletroacústica e síntese sonora.

O conhecimento sobre a mecânica dos instrumentos levou Grisa a um amadurecimento profundo da sua própria poética, numa simbiose muito particular entre o objeto sonoro e o sentimento musical adormecido – assim, os temas que tanto a inquietavam foram emergindo naturalmente.

“Eu sou obcecada pela arte dos instrumentos, principalmente quando trabalhei na Philharmonie de Paris, quanto mais eu mergulhava nesta pesquisa, mais eu me aproximava daquilo que tanto me interessa dizer – em música, a arte invisível e dependente do tempo – a inquietação com a passagem do tempo, a impermanência da vida e os sentimentos em transformação”, sinaliza.

Atualmente é residente da Casa Líquida em Pinheiros, São Paulo, onde desenvolveu todo o projeto que gravita em torno do álbum “Amor Trespasse”.

Antes de Amor Trespasse, grisa lançou Espelho ou Geografia de Lugar Nenhum, disponível apenas no formato de CD em edição limitada, inúmeros singles e dois EPs, “Caos // Mar Aberto” e “Wet Matchbox”, lançados pelo selo midsummer madness (Rio de Janeiro / Londres).

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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