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Lula é reeleito presidente do Brasil

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A disputa foi marcada pelo equilíbrio entre os candidatos e pela mobilização de eleitores em todo o país.

A vitória de Lula foi confirmada quando aproximadamente 98% das urnas já haviam sido apuradas. O resultado representa um marco na história eleitoral brasileira: pela primeira vez, um candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter a desvantagem e vencer a disputa presidencial no segundo turno.

Na primeira etapa da eleição, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula, por sua vez, obteve 53.879.538 votos, o equivalente a 45,16%.

Com a vitória, Lula se torna o primeiro presidente brasileiro eleito para um quarto mandato. Ele governou o país entre 2003 e 2010, retornou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023 e permanecerá na Presidência até o fim de 2030.

Campanha percorreu diferentes regiões do país

Durante a campanha eleitoral, Lula precisou conciliar os compromissos oficiais da Presidência da República com as atividades políticas relacionadas à tentativa de reeleição.

No primeiro mês da campanha oficial, entre 16 de agosto e 16 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro estiveram entre os candidatos que mais percorreram o país, com agendas em 11 estados cada.

Ao longo da disputa, o presidente concentrou parte de seu discurso na defesa da soberania nacional, criticando as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A campanha também deu destaque a temas como geração de empregos, aumento da renda, programas sociais e redução das desigualdades.

Na reta final do primeiro turno, Lula ampliou as críticas às apostas esportivas e aos jogos on-line. O tema ganhou espaço na agenda do candidato, que defendeu medidas para combater os impactos sociais e econômicos relacionados às apostas.

Escala 6×1, renda e segurança pública marcaram o segundo turno

Para a segunda etapa da eleição, Lula promoveu mudanças na estratégia de campanha. O presidente chegou a reconhecer publicamente que sua equipe havia conduzido de maneira menos organizada a primeira fase da disputa.

A partir disso, intensificou as críticas ao adversário e adotou uma comunicação mais direta com os eleitores. A campanha passou a utilizar vídeos gravados no formato selfie e publicações mais incisivas nas redes sociais, buscando transmitir maior proximidade com o público.

Entre as principais propostas defendidas por Lula no segundo turno esteve o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e descansa um. O tema ganhou destaque no debate eleitoral e foi associado à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

A agenda econômica e social também ocupou espaço central na campanha. O governo anunciou mudanças relacionadas ao Bolsa Família, cujo benefício médio informado passou de R$ 600 para R$ 691, com o primeiro pagamento do novo valor previsto para a semana anterior ao segundo turno.

Na reta final da disputa, Lula também apresentou medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), incluindo propostas de renegociação de dívidas, ampliação do limite de faturamento anual e flexibilização da contratação de funcionários.

Outra iniciativa defendida pelo candidato foi a gratuidade do transporte público aos fins de semana, por meio de uma proposta encaminhada ao Congresso Nacional.

O presidente também prometeu dar continuidade a programas sociais e ampliar iniciativas como Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Mais Médicos e Farmácia Popular.

A segurança pública ganhou relevância durante o segundo turno. Em meio às discussões sobre a PEC da Segurança Pública, a campanha defendeu o aumento da participação federal no combate à criminalidade, com ampliação dos investimentos e repasses destinados a estados e municípios.

A possibilidade de criação de um ministério específico para a área também entrou no debate eleitoral.

Outro ponto enfatizado por Lula foi o enfrentamento da violência contra as mulheres. Em seus discursos, o presidente defendeu medidas para combater o feminicídio, ampliar a proteção às vítimas e fortalecer a autonomia econômica feminina.

Quem é Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde começou a trabalhar aos 12 anos. Mais tarde, formou-se torneiro mecânico e ingressou no movimento sindical.

Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, no ABC Paulista. Sua atuação ganhou projeção nacional durante as greves de trabalhadores do final da década de 1970 e do início dos anos 1980, período marcado pela mobilização sindical contra a política salarial do regime militar.

Em 1980, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que se tornaria sua principal base política. Seis anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

A primeira candidatura de Lula à Presidência ocorreu em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno. Nas eleições de 1994 e 1998, voltou a disputar o cargo, mas perdeu para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nas duas ocasiões.

A chegada ao Palácio do Planalto aconteceu em 2002, quando Lula venceu José Serra (PSDB) no segundo turno. Seu primeiro mandato começou em janeiro de 2003.

Em 2006, foi reeleito ao derrotar Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB e que, anos mais tarde, se tornaria seu vice-presidente.

Os dois primeiros governos de Lula foram marcados pela expansão de programas sociais, pela valorização do salário mínimo e pelo crescimento econômico. Durante o segundo mandato, o Brasil também enfrentou os efeitos da crise financeira internacional de 2008.

Lula deixou a Presidência no fim de 2010 e apoiou a candidatura de Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra da Casa Civil. Ela venceu a eleição daquele ano e foi reeleita em 2014.

Processos judiciais e retorno à política

Anos depois de deixar a Presidência, Lula passou a ser um dos principais investigados no contexto da Operação Lava Jato. Em 2017, foi condenado pelo então juiz Sergio Moro no processo relacionado ao triplex do Guarujá. Posteriormente, também foi condenado no caso do sítio de Atibaia.

O petista ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019, situação que o impediu de disputar a eleição presidencial de 2018.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações, ao concluir que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os processos. A decisão restabeleceu os direitos políticos de Lula e permitiu que ele voltasse a concorrer a cargos públicos. A anulação foi confirmada pelo plenário da Corte.

Em 2022, Lula voltou a disputar a Presidência, tendo Geraldo Alckmin como candidato a vice. No segundo turno, derrotou o então presidente Jair Bolsonaro e retornou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.

Geraldo Alckmin é reeleito vice-presidente

Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito vice-presidente da República na chapa encabeçada por Lula.

Médico e ex-governador de São Paulo, Alckmin já havia disputado a Presidência contra Lula em 2006, quando ainda era filiado ao PSDB. Na ocasião, foi derrotado pelo petista no segundo turno.

A aproximação política entre os dois ocorreu antes das eleições de 2022. Alckmin deixou o PSDB, ingressou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) e passou a integrar a chapa de Lula como candidato a vice-presidente.

Durante o terceiro governo petista, além de exercer a Vice-Presidência, Alckmin assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, participando da articulação de políticas econômicas e industriais do governo federal.

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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