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Após 50 anos, corpo de pianista brasileiro desaparecido na ditadura argentina é identificado

Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenorinho, pianista brasileiro desaparecido durante a ditadura militar na Argentina, teve seus restos mortais identificados quase cinco décadas depois. A confirmação foi feita pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) e divulgada oficialmente pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires nesta semana.

O músico foi visto pela última vez em 18 de março de 1976, em Buenos Aires, seis dias antes do golpe militar argentino. Ele estava em turnê pela Argentina e Uruguai ao lado de Vinícius de Moraes, Toquinho, Mutinho e Azeitona. Na noite de seu desaparecimento, saiu do hotel Normandie, onde o grupo estava hospedado, supostamente para comprar cigarros — e nunca mais voltou.

O corpo foi encontrado dois dias depois, em 20 de março de 1976, na cidade de Don Torcuato, na província de Buenos Aires, enterrado como desconhecido em uma vala comum. De acordo com os peritos da EAAF, o músico foi morto a tiros.

A identificação só foi possível após um longo trabalho conjunto da Câmara de Apelações e da Procuradoria de Crimes contra a Humanidade da Argentina, que atuam na elucidação de desaparecimentos forçados e crimes cometidos durante os anos de chumbo na América do Sul. O processo incluiu a análise de digitais preservadas e amostras de DNA coletadas de familiares.

Francisco Tenório Júnior era considerado um dos maiores talentos da música instrumental brasileira, conhecido por sua habilidade de unir bossa nova e jazz com maestria. Sua carreira promissora foi brutalmente interrompida aos 34 anos.

Apesar da identificação, as circunstâncias de sua morte permanecem nebulosas. Pessoas próximas afirmam que o músico não tinha envolvimento direto com política, o que alimenta teorias de que ele possa ter sido confundido com um militante por conta da aparência ou da simples presença em locais visados pelo regime.

O caso de Tenorinho é investigado dentro do contexto da Operação Condor, aliança repressiva entre os regimes militares da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com apoio dos Estados Unidos. A operação coordenava ações de espionagem, sequestro, tortura e execução de opositores políticos entre os anos 1970 e 1980.

A revelação traz um misto de alívio e dor à família, amigos e fãs, que há décadas buscavam respostas. Também reforça a importância da memória, da justiça e da preservação da história para que crimes como esse nunca se repitam.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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