Nos bastidores do samba, entre aplausos, luzes e rodas de amigos, Arlindo Cruz travava uma batalha silenciosa. Na efervescência das noites cariocas dos anos 80 e 90, o cavaquinho afinado e a voz suave conviviam com tentações perigosas. A cocaína, que no início parecia apenas parte do ambiente boêmio, rapidamente se transformou em um inimigo constante.
O vício não respeitava sua genialidade, nem os aplausos que ecoavam após cada show. Foi preciso coragem para encarar o problema de frente. O ponto de virada veio com o amor incondicional da família — a esposa, Babi, e os filhos — que se tornaram seu porto seguro.
Arlindo encontrou na música não apenas sua profissão, mas seu refúgio e ferramenta de cura. Cada composição, cada samba entoado, era também um passo a mais rumo à libertação. A família passou a falar publicamente sobre o assunto, não para reviver a dor, mas para inspirar outros a não se renderem
Hoje, sua trajetória é mais do que a de um sambista consagrado: é a história de um homem que enfrentou o próprio abismo e transformou suas feridas em versos, mantendo vivo o show que, para ele, “tem que continuar”.















































