Bad Bunny, artista mais ouvido do mundo em 2025 e vencedor do Grammy de Álbum do Ano, tornou-se o centro de uma disputa política nos Estados Unidos após ser anunciado como uma das atrações do show do intervalo do Super Bowl LX. A escolha do cantor porto-riquenho desencadeou um movimento de boicote por parte de grupos conservadores e gerou críticas públicas do presidente Donald Trump.
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Música, identidade e posicionamento político
Ao longo de quase uma década de carreira, iniciada oficialmente em 2016, Bad Bunny consolidou-se como um fenômeno global não apenas pelos números nas plataformas de streaming, mas também por seu posicionamento político explícito e pela defesa constante da identidade latina.
O álbum Debí Tirar Más Fotos (DtMF) representa um marco nesse percurso. Mais do que um sucesso comercial, o trabalho se destaca por exaltar a cultura latina em um momento de endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos. Em letras que abordam pertencimento, memória e resistência, o artista faz referências diretas às tensões vividas por comunidades hispânicas, especialmente diante do aumento das deportações.
Segundo dados do Instituto Pew, um em cada cinco latinos afirma conhecer alguém que foi deportado no último ano — um cenário que intensificou o debate público sobre imigração no país.
Nascido em Porto Rico, território sob domínio dos Estados Unidos desde 1898, o cantor reforça em entrevistas e apresentações a contribuição histórica dos latinos para a construção da sociedade norte-americana. Em participação especial na edição comemorativa de 50 anos do Saturday Night Live, ele recriou a icônica fotografia “Lunch atop a Skyscraper”, de 1932, ao se apresentar ao lado de homens porto-riquenhos no topo do 30 Rockefeller Plaza, em Nova York — uma homenagem simbólica aos trabalhadores latinos que ajudaram a erguer a cidade.

Bad Bunny também adota o espanhol como idioma exclusivo em entrevistas e músicas, além de utilizar símbolos culturais latinos em seus shows e discursos. Ao receber o Grammy de Álbum do Ano, pediu publicamente o fim da perseguição a imigrantes promovida por autoridades norte-americanas.
Reação conservadora e boicote
O posicionamento do artista, no entanto, provocou reações negativas entre setores conservadores. A confirmação de seu nome no show do intervalo do Super Bowl LX foi recebida com críticas de parte do público, que defende que a atração deveria ser “totalmente americana”, apesar de Porto Rico ser território dos Estados Unidos.
Donald Trump manifestou-se publicamente contra a escolha. Em entrevista ao New York Post, declarou ser contrário tanto à participação de Bad Bunny quanto à da banda Green Day, também confirmada como atração do evento. O presidente classificou as apresentações como inadequadas e afirmou que não comparecerá ao jogo, rompendo uma tradição presidencial.
Em resposta à programação oficial, a organização conservadora Turning Point USA, alinhada ao movimento Make America Great Again (MAGA), anunciou um evento alternativo. O chamado “All-American Halftime Show” será transmitido simultaneamente ao intervalo oficial, pelas redes sociais, com apresentações de artistas de country e rock como Kid Rock, Brantley Gilbert e Gabby Barrett.
Segundo os organizadores, a proposta é oferecer uma alternativa “livre de agenda política progressista”.
Cultura e política no centro do espetáculo
O episódio evidencia como o show do intervalo do Super Bowl, tradicionalmente visto como entretenimento, tornou-se também um espaço de disputa simbólica e política. Para apoiadores, a presença de Bad Bunny representa reconhecimento à força cultural latina nos Estados Unidos. Para críticos, trata-se de uma escolha ideológica.
No maior evento esportivo do país, a discussão sobre identidade, imigração e representatividade ultrapassa o campo musical e confirma o peso político que a cultura pop passou a exercer no cenário americano contemporâneo.









































