Um boletim de ocorrência registrado na última terça-feira (3) aponta a suspeita de que Suzane von Richthofen teria furtado bens e dinheiro da residência de seu tio, o médico aposentado Miguel Abdalla Netto.
Suzane, que cumpre pena em regime aberto após ser condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, Marísia e Manfred von Richthofen, é acusada de ter se apropriado indevidamente de objetos da casa do parente. O registro foi feito na delegacia eletrônica por Silvia Gonzalez Magnani, prima de Suzane e ex-companheira do médico.
De acordo com o boletim, entre os itens supostamente levados estão uma máquina de lavar roupas, um sofá, uma cadeira ou poltrona e uma bolsa contendo documentos e dinheiro pertencentes ao tio.
Miguel Abdalla Netto foi encontrado morto no último dia 9, em estado avançado de decomposição, sem sinais aparentes de violência. O caso foi registrado como morte suspeita e segue sob investigação pelas autoridades.
Possível retorno ao sistema prisional
Caso as investigações confirmem a autoria do furto, Suzane poderá perder o benefício do regime aberto e retornar à prisão. Entre as exigências impostas pela Justiça para a manutenção do regime está a proibição de envolvimento em novos crimes. Se condenada, ela deverá cumprir o restante da pena de 39 anos em regime fechado.
A defesa de Suzane von Richthofen foi procurada, mas não se manifestou até o momento.
Outro boletim aponta invasão ao imóvel
Além desse registro, um boletim de ocorrência anterior foi feito na 27ª Delegacia de Polícia Civil do Campo Belo. Segundo o relato, o sobrinho do médico, Ricardo Abdala de Freitas, procurou a polícia após encontrar o imóvel arrombado e com diversos bens levados.
Ele informou que a casa estava desabitada desde a morte de Miguel. Um vizinho teria percebido movimentação suspeita no local e avisado a família. Ao chegar à residência, Ricardo encontrou a porta da sala — que era blindada — arrombada. Entre os objetos furtados estariam uma máquina de lavar roupas, um sofá, uma poltrona e uma bolsa contendo documentos e dinheiro.
Em nota, a Polícia Civil informou que as diligências continuam para identificar os responsáveis e promover a devida responsabilização criminal.
Disputa pela herança
Miguel Abdalla Netto não deixou pais, filhos ou cônjuge. Com isso, Suzane e seu irmão, Andreas von Richthofen, passam a ser considerados herdeiros colaterais. Especialistas em direito sucessório explicam que, na ausência de testamento, a legislação brasileira não impede automaticamente que Suzane receba parte da herança, apesar de seu histórico criminal.
Suzane foi considerada indigna para herdar os bens dos próprios pais, devido à participação direta no assassinato deles. No entanto, essa condição não se estende automaticamente a outros parentes, como tios. A exclusão só poderia ocorrer em situações específicas previstas em lei, como indignidade reconhecida judicialmente ou deserdação expressa em testamento.
Assim, caso não exista testamento deixado por Miguel Abdalla Netto, a herança tende a ser dividida entre os dois irmãos, independentemente do passado criminal de Suzane.











































