A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, prevê a criação de um período de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguirem emprego com carteira assinada ou abrirem o próprio negócio. Após esse prazo, a proposta é que essas pessoas deixem o programa social.
A medida foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha, em entrevista à rádio CBN Bahia, nesta segunda-feira (19). Segundo ela, a regra teria como objetivo incentivar a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho e ampliar as oportunidades de geração de renda.
“Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado”, afirmou Marques.
A proposta está associada à criação do chamado Ministério da Prosperidade, anunciado por Flávio Bolsonaro durante a campanha. De acordo com a coordenadora, a nova estrutura teria entre suas atribuições oferecer capacitação profissional e acesso ao crédito para pessoas interessadas em empreender.
Dados apontam saída de famílias do programa
A justificativa apresentada pela campanha parte do argumento de que os beneficiários não devem permanecer indefinidamente vinculados à assistência social. No entanto, dados citados pela CartaCapital, com base no estudo “Filhos do Bolsa Família”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, indicam que 60,68% das famílias que recebiam o benefício em 2014 haviam deixado o programa até 2025.
Entre os jovens que tinham de 15 a 17 anos em 2014, mais de 71% também haviam saído do programa ao longo do período analisado. A inserção no mercado de trabalho formal e o aumento da escolaridade aparecem entre os fatores associados a essa trajetória.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também apontam a participação de beneficiários na geração de empregos formais. No primeiro semestre de 2026, integrantes do Bolsa Família responderam por 516,5 mil dos 765,7 mil postos líquidos de trabalho criados no país, segundo os números divulgados na reportagem original.
Como funciona a regra atual
Atualmente, conseguir um emprego não significa perder automaticamente o Bolsa Família. A permanência no programa depende principalmente da renda familiar por pessoa e do cumprimento dos demais critérios de elegibilidade.
Pelas regras vigentes em outubro de 2026, famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa podem receber o benefício integralmente, desde que atendam às exigências do programa. Nos casos de aumento de renda decorrente do trabalho, famílias que ultrapassam esse limite e recebem até R$ 706 por pessoa podem ter direito à Regra de Proteção, que permite manter 50% do benefício por até 12 meses.
A proposta apresentada pela equipe de Flávio Bolsonaro prevê um período de transição de 24 meses para os beneficiários que conseguirem uma colocação profissional. A campanha também afirma que haveria possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de inserção no mercado de trabalho não dê certo.
A medida, porém, representa uma mudança em relação ao modelo atual e dependeria da implementação das regras previstas por um eventual governo.
A discussão sobre o futuro do Bolsa Família ocorre em meio à disputa presidencial de 2026. Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro defende medidas voltadas à autonomia financeira dos beneficiários, o tema da manutenção e do financiamento dos programas sociais também integra o debate eleitoral.











































