A Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp, apresentou comportamentos diferentes durante testes de geração de imagens com referências a candidatos políticos nesta quarta-feira (14). Enquanto o sistema atendeu ao pedido para criar uma imagem com a expressão “Flávio 22”, recusou solicitações que incluíam “Lula 13” e o nome completo do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Durante os testes, a ferramenta também não gerou uma imagem quando o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi substituído por “Luiz Inácio”. Ao ser questionada sobre a recusa, a inteligência artificial informou que não poderia atender à solicitação e atribuiu a restrição a um bloqueio automático, sem esclarecer o motivo específico.
A diferença nas respostas levantou questionamentos sobre os critérios utilizados pelo sistema para identificar e restringir conteúdos relacionados a campanhas eleitorais. Os resultados observados indicaram que a formulação dos pedidos influenciava a resposta da ferramenta, embora os testes, isoladamente, não permitam determinar todas as regras responsáveis pelo comportamento.
Meta afirma que adotou restrições eleitorais
Em posicionamento sobre o caso, a Meta informou que implementou medidas temporárias para impedir a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles, em conformidade com as regras eleitorais brasileiras.
Segundo a empresa, as restrições também foram ampliadas para abranger solicitações que utilizem apenas o primeiro nome dos candidatos acompanhado do respectivo número de urna. A medida busca evitar que comandos mais curtos contornem os mecanismos de bloqueio aplicados aos pedidos de conteúdo eleitoral.
Regras do TSE para inteligência artificial
A legislação eleitoral brasileira estabelece limites para o uso de sistemas automatizados em contextos políticos. A Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme mencionado no contexto das restrições, prevê a proibição de manifestações automatizadas que indiquem preferência eleitoral, recomendem votos ou promovam favorecimento ou desfavorecimento político, de forma direta ou indireta.
As regras buscam preservar a isonomia entre candidaturas e evitar que ferramentas tecnológicas interfiram indevidamente no processo eleitoral.
Em agosto, o TSE também anunciou uma iniciativa conjunta com a Advocacia-Geral da União (AGU) para compartilhar uma Cartilha de Boas Práticas de Inteligência Artificial. A proposta é orientar o uso responsável da tecnologia e contribuir para a independência dos materiais produzidos com auxílio de sistemas de IA.
O episódio envolvendo a Meta AI reforça o debate sobre a transparência dos mecanismos de moderação e a aplicação uniforme das restrições a conteúdos políticos. A divulgação de critérios mais claros sobre o funcionamento desses bloqueios pode ajudar usuários a compreender por que determinados pedidos são aceitos, enquanto outros são recusados.











































