O produtor e diretor musical Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira (5), aos 78 anos. A informação foi confirmada pela família à TV Globo, onde ele construiu grande parte de sua trajetória profissional. Segundo relatos, o artista estava internado há cerca de um mês no hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro, e faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.
Carioca, Guto deixa a esposa, Sylvia Massari, dois filhos e dois enteados. Sua morte encerra um capítulo importante da música popular brasileira e da televisão, áreas nas quais teve atuação decisiva ao longo de décadas.
Um legado de sucessos na música brasileira
Com mais de 500 discos produzidos, Guto Graça Mello foi responsável por impulsionar carreiras e consolidar grandes nomes da MPB. Em seu currículo estão trabalhos com artistas como Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e Xuxa Meneghel, cujo primeiro álbum, produzido por ele, vendeu cerca de 3 milhões de cópias.
Além da produção musical, teve papel fundamental na formação de elencos artísticos ao lado de João Araújo, contribuindo para revelar talentos como Djavan, Moraes Moreira e Jorge Ben Jor.
Influência marcante na televisão
Na televisão, Guto Graça Mello deixou uma assinatura inconfundível. Foi responsável por transformar trilhas sonoras de novelas em fenômenos de vendas e criou o icônico tema de abertura do Fantástico.
Na Globo, atuou como diretor musical e participou de projetos importantes, como o especial “Viva Marília”. Também assinou trilhas de novelas marcantes, entre elas Gabriela, Pecado Capital e Saramandaia, ajudando a consolidar a música como elemento central da dramaturgia brasileira.
Trajetória e formação artística
Nascido em 1947, no Rio de Janeiro, Guto cresceu em um ambiente artístico — era filho dos atores Stella e Octávio Graça Mello. Inicialmente, ingressou no curso de arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas abandonou a graduação para seguir carreira na música.
No início, destacou-se como compositor ao lado de Mariozinho Rocha, criando canções como “Manifesto” e “Cabra Macho”, interpretadas por Elis Regina e Nara Leão.
Em 1972, estreou como produtor musical na TV Globo e, posteriormente, passou a atuar na gravadora Som Livre, com foco em trilhas sonoras de novelas — segmento que ajudou a transformar em sucesso comercial.
Contribuições para o cinema
Além da música e da televisão, Guto também deixou sua marca no cinema, compondo trilhas para mais de 30 filmes. Entre eles estão produções como O Beijo no Asfalto, Cazuza – O Tempo Não Para, Se Eu Fosse Você, High School Musical e Nosso Lar.
Um nome que ajudou a definir uma era
Guto Graça Mello foi mais do que um produtor: foi um dos grandes arquitetos da relação entre música e audiovisual no Brasil. Seu trabalho ajudou a definir o som de novelas, programas e discos que marcaram gerações — um legado que permanece vivo na cultura brasileira.










































