O cantor britânico Steve Ellis, conhecido mundialmente por interpretar o clássico “Everlasting Love”, morreu na última sexta-feira, 30 de outubro de 2026, aos 76 anos. A informação foi confirmada em uma publicação em sua página oficial no Facebook.
De acordo com o comunicado, o artista faleceu pacificamente, na presença de familiares e pessoas próximas, após complicações decorrentes de uma doença crônica. A causa específica da morte não foi divulgada.
Ellis ganhou notoriedade ainda na adolescência, como vocalista da banda Love Affair, formada em 1966. O grupo alcançou projeção internacional com sua versão de “Everlasting Love”, lançada em dezembro de 1967. A música, composta por Buzz Carson e Marc Gayden, havia sido gravada originalmente pelo cantor norte-americano Robert Knight, cuja interpretação chegou à 13ª posição da Billboard Hot 100.
A versão do Love Affair, porém, ganhou uma dimensão ainda maior. Em entrevista concedida em 2015, Ellis contou que ficou surpreso ao chegar ao estúdio para gravar a faixa e encontrar uma orquestra de aproximadamente 40 músicos, além de instrumentistas profissionais, em vez dos próprios integrantes da banda.
“Dois takes, pronto. Foi só isso”, relembrou o cantor.
O sucesso também foi acompanhado de uma estratégia promocional inusitada. Para divulgar o single, o assessor de imprensa do grupo organizou uma ação em que os integrantes subiram na estátua de Eros, localizada na fonte Shaftesbury Memorial, em Piccadilly Circus, Londres.
A brincadeira terminou em confusão: Ellis ficou preso no alto da estátua e precisou ser resgatado pelos bombeiros. Os integrantes da banda acabaram detidos e multados.
Apesar do episódio, a divulgação ajudou a impulsionar a música. Em fevereiro de 1968, “Everlasting Love” chegou ao primeiro lugar da parada britânica de singles, tirando “Hello, Goodbye”, dos Beatles, do topo das classificações.
Uma carreira marcada por sucessos e recomeços
Depois de conquistar o público com “Everlasting Love”, o Love Affair emplacou outros três singles no Top 10 britânico: “Rainbow Valley”, “A Day Without Love” e “Bringing on Back the Good Times”.
Ellis deixou a banda em 1970 e seguiu carreira com o grupo Ellis, formado ao lado do tecladista Zoot Money. Posteriormente, integrou o Widowmaker, que lançou dois álbuns no final da década de 1970.
No início dos anos 1980, o músico decidiu se afastar dos palcos e passou a trabalhar nas docas, no sul da Inglaterra. Sua trajetória sofreu uma reviravolta após um grave acidente envolvendo uma empilhadeira, que provocou ferimentos severos nos pés. O episódio o levou a enfrentar quase dez anos de cirurgias e sessões de fisioterapia.
Após um longo período de recuperação, Ellis encontrou forças para retomar a carreira musical. Voltou a se apresentar regularmente e lançou novos trabalhos, mantendo uma relação próxima com o público que acompanhava sua trajetória desde os anos 1960.
Entre seus projetos posteriores está o álbum “The Best of Days”, de 2015, que contou com participações de Roger Daltrey e Paul Weller.
O orgulho de um sucesso eterno
Apesar de, durante um período, ter evitado cantar “Everlasting Love” nos shows, Ellis acabou reconhecendo a importância da música em sua história e voltou a incluí-la nas apresentações.
Em uma entrevista, o cantor refletiu sobre a relação com o maior sucesso de sua carreira e a conexão especial que a canção mantinha com os fãs.
“Você não pode virar as costas para a sua própria história; não dá para deixar de fazer o que as pessoas querem”, afirmou.
Ellis também destacou a dimensão do reconhecimento conquistado ainda muito jovem. Para ele, ter um disco de tamanha repercussão aos 17 anos era motivo de gratidão, mesmo que, durante algum tempo, o sucesso tivesse parecido uma espécie de maldição.











































