A relação do Brasil com as artes marciais mistas é mais profunda do que a de qualquer outra nação do mundo. Muito antes de o UFC se tornar um fenômeno global, o Brasil já organizava lutas de vale tudo no Rio de Janeiro e desenvolvia o sistema de luta no chão que acabaria por redefinir a forma como o mundo inteiro entendia os esportes de combate. Para qualquer casa de apostas que cubra o MMA, os lutadores brasileiros que construíram esse legado representam algumas das figuras mais marcantes da história do esporte. Aqui está uma retrospectiva dos maiores de todos.
Royce Gracie: o homem que deu início a tudo
Sem Royce Gracie, não haveria o UFC como o conhecemos. Quando a promoção realizou seu primeiro evento em Denver, em novembro de 1993, ele foi concebido como uma vitrine do jiu-jitsu brasileiro contra outras artes marciais, e Gracie cumpriu essa premissa de forma enfática. Ele venceu o UFC 1, o UFC 2 e o UFC 4, finalizando adversários que pesavam de 13 a 18 kg a mais do que ele, usando alavancagem, técnica e um domínio do jogo de chão que seus adversários simplesmente não possuíam.
As vitórias de Gracie não se limitaram a conquistar torneios. Elas mudaram fundamentalmente a forma como lutadores e treinadores em todo o mundo pensavam sobre o combate. Todas as academias de MMA que ensinam jiu-jitsu, todos os lutadores que trabalham a partir da guarda, todos os especialistas em finalização no esporte têm uma dívida com o que Gracie demonstrou naqueles primeiros eventos.
Anderson Silva: o maior de todos os tempos
O debate sobre o maior lutador da história do UFC é algo que o esporte nunca se cansa de discutir, e o caso brasileiro repousa quase inteiramente sobre Anderson Silva. Seu reinado como campeão dos médios durou 2.457 dias, o mais longo da história do UFC. Ele fez dez defesas consecutivas bem-sucedidas do título, um recorde da categoria que permanece até hoje. Fez tudo isso com um estilo tão elegante, tão criativo e aparentemente tão fácil que fez os melhores lutadores de peso médio do mundo parecerem comuns.
Só o resumo dos melhores momentos já o destaca: o nocaute com chute frontal em Vitor Belfort, a obra-prima que foi sua performance contra Forrest Griffin, os movimentos laterais e contra-ataques retardados que deixavam os adversários perseguindo sombras. O legado de Silva foi complicado por seus últimos anos, mas o que ele produziu entre 2006 e 2012 continua sendo a referência pela qual todos os campeões do UFC são avaliados.
José Aldo: o rei dos pesos-penas
Entre maio de 2006 e dezembro de 2015, José Aldo não perdeu uma única luta profissional de MMA. Essa sequência invicta de 18 lutas, que incluiu sete defesas consecutivas do título dos pesos-penas do UFC, é um dos períodos mais duradouros de domínio que qualquer lutador já alcançou no nível de título mundial. O Rei do Rio era explosivo, tecnicamente preciso e aparentemente imune às pressões que derrubavam outros campeões.
A carreira de Aldo é frequentemente vista através das lentes da derrota por nocaute em 13 segundos para Conor McGregor no UFC 194, um dos momentos mais chocantes da história dos esportes de combate. Mas essa única derrota não define o que ele construiu. A década de domínio no peso pena que a precedeu, os chutes devastadores nas pernas, a agressividade implacável e a qualidade dos adversários que ele derrotou, tudo isso compõe o retrato de um lutador que tem lugar garantido em qualquer conversa honesta sobre os maiores da história do UFC.
Amanda Nunes: a maior lutadora de todos os tempos
Se o debate sobre o melhor peso por peso masculino é contestado, o feminino não é. Amanda Nunes é a maior lutadora de MMA da história do esporte, ponto final. A Leoa da Bahia acumulou uma sequência de 12 vitórias consecutivas, incluindo defesas de título em duas categorias de peso diferentes, tornando-se a primeira mulher a deter simultaneamente os campeonatos do UFC nos pesos galo e pena.
Suas vitórias sobre Ronda Rousey, Cris Cyborg e Valentina Shevchenko colocaram Nunes no auge do esporte, independentemente do gênero. O nocaute de Cyborg em 51 segundos, contra uma lutadora que havia demolido todas as outras adversárias que enfrentou durante anos, foi a performance marcante que definiu uma carreira construída inteiramente em performances marcantes. Ela detém o recorde do reinado combinado mais longo da história do UFC.
Charles Oliveira e Alex Pereira: a era moderna
A tocha passou para uma nova geração, e dois lutadores de São Paulo agora carregam o legado brasileiro no UFC. Charles Oliveira detém os recordes de maior número de vitórias por finalização, maior número de finalizações e maior número de bônus pós-luta na história do UFC, uma tríplice marca que captura tanto sua habilidade de finalização quanto sua extraordinária longevidade. Da favela de Guarujá ao campeão do BMF e ex-detentor do título dos pesos leves, sua história é um dos melhores capítulos do MMA brasileiro.A ascensão de Alex Pereira é talvez a mais surpreendente da história do esporte: de mecânico de pneus a campeão do UFC em duas categorias de peso em um período que quebrou vários recordes. Ele conquistou os títulos dos pesos médios e meio-pesados mais rapidamente do que qualquer lutador antes dele, e os mercados de apostas esportivas têm consistentemente colocado seu nome entre as apostas mais atraentes dos esportes de combate da era moderna. Ambos os lutadores personificam tudo o que fez do MMA brasileiro a tradição nacional de luta mais rica e duradoura que o esporte já produziu.










































