O cantor e compositor João Gilberto, um dos criadores da Bossa Nova, morreu hoje(06), ao 88 anos, segundo uma postagem de seu filho João Marcelo nas redes sociais. A causa da morte ainda não foi confirmada pela família.
My father has passed. His fight was noble, he tried to maintain dignity in light of losing his sovereignty. I thank my…
Posted by Marcelo Gilberto on Saturday, July 6, 2019
“Meu pai morreu. Sua luta foi nobre, ele tentou manter a dignidade à luz da perda da independência. Agradeço minha família por estar aqui por ele”, escreveu o filho do artista.
Gilberto morreu em casa, no Rio de Janeiro. Ele sofria com problemas de saúde há algum tempo.
Nos últimos anos, uma disputa familiar com a cantora Bebel Gilberto, perturbou a vida reclusa de João Gilberto. A filha do meio do músico conseguiu junto à Justiça do Rio de Janeiro interditar o pai e obter a tutela provisória de seus contratos e movimentações financeiras no fim de 2017.
Vida e carreira
João Gilberto começou muito jovem a cantar música que escutava pelo rádio na praça de sua cidade antes de se mudar para Salvador com a intenção de viver de sua paixão, segundo relata o jornal O Globo. Mais tarde, se estabeleceria no Rio de Janeiro como cantor de um grupo chamado Garotos de Lua. Mas a tentativa não funcionou e ele abandonou a cidade, na época a capital do Brasil, em buscas de novos rumos. Durante seis meses que passou na casa de uma de suas irmãs em Diamantina (MG), saiu pouco de casa, foi econômico nas palavras e passou as noites provando novos ritmos com o violão. Ritmos que acabaram sendo revolucionários.
Tinha 26 anos quando voltou ao Rio de Janeiro, em 1957, para, como afirmou Tom Jobim, influenciar “toda uma geração de compositores, músicos e cantores”.
Sua última apresentação foi em 2008. Em 2011, cancelou mais um show e seu produtor foi condenado a pagar o local onde a apresentação aconteceria. Estava tão recluso, que seus últimos shows foram verdadeiros acontecimentos. Gostava de cantar sozinho, de terno e gravata, num banquinho e com um violão que abraçava cm doçura.
João Gilberto morreu na casa onde vivia, no Rio de Janeiro, e deixou o imenso legado da Bossa Nova, ritmo que colocou a música brasileira em um novo patamar em relação ao mundo. O gênero, surgido no final da década de 50 pelas vozes de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, revolucionou o jeito de se fazer música no país, com uma mistura refinada de samba com jazz. Mais do que o resultado sonoro, a Bossa Nova tornou-se um estilo, um movimento, remetendo ao Rio de Janeiro da metade do século passado e sua Garota de Ipanema, regravada mais de 200 vezes ao redor do mundo.
Diferentemente do samba, que surge nos guetos e trazidos ao Brasil pelos africanos, a Bossa Nova emerge de uma classe média branca na zona sul carioca, onde se concentram os bairros mais nobres da cidade. E se o primeiro ritmo é uma explosão, a elitizada Bossa Nova chega com fala mansa, em cima de um banquinho e acompanhada de um violão que leva a melodia às letras que falavam sobre amor e saudade.
Embora de vida curta – durou cerca de uma década – o movimento deixou um legado valioso para a música brasileira, do jazz ao rock, influenciando fortemente a contemporânea Música Popular Brasileira. Para além das incansáveis regravações de seus clássicos ao redor do mundo, a Bossa Nova quebrou alguns estereótipos do “país do samba”, dando uma nova cara para os ritmos brasileiros. Desafinados ou não.









































