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Quem é Jiraiya, o “mafioso das bombas”, líder de esquema milionário de anabolizantes

Roberto Carlos Pereira de Carvalho é suspeito de comandar uma rede clandestina de produção e venda de anabolizantes que faturava cerca de R$ 500 mil por mês.

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Reprodução

Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido no submundo das academias como “Jiraiya”, é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como o líder de uma das maiores organizações criminosas voltadas à fabricação e comercialização ilegal de anabolizantes e medicamentos proibidos no Brasil.

Segundo as investigações, o suspeito comandava um esquema que rendia aproximadamente R$ 500 mil líquidos por mês e mantinha laboratórios clandestinos em estados como São Paulo, Paraíba, Distrito Federal e Foz do Iguaçu, além de uma base de operações no Paraguai.

Como funcionava o esquema?

De acordo com a PCDF, Jiraiya evitava participar diretamente da produção dos medicamentos. A estratégia era administrar a operação à distância, alugando imóveis de alto padrão em diferentes estados, onde terceiros eram contratados para fabricar os produtos.

As investigações apontam que ele coordenava a logística por meio de entregas realizadas por motoboys e serviços de delivery, além de mudar constantemente de endereço para dificultar sua localização pelas autoridades.

Ainda conforme a polícia, o suspeito costumava frequentar hotéis de luxo no Chile e possuía um bunker em Ciudad del Este, no Paraguai. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 5 milhões ligados ao investigado.

Produção clandestina e riscos à saúde

A operação revelou que a organização utilizava a marca clandestina New Science para comercializar os produtos. O grupo patrocinava atletas de fisiculturismo, influenciadores e profissionais da área da saúde para ampliar a divulgação dos anabolizantes nas redes sociais.

Segundo a investigação, as negociações eram feitas principalmente pelo Instagram, enquanto a matéria-prima era importada da Índia, China e Paraguai. Os insumos chegavam ao Brasil escondidos em peças de motocicletas para escapar da fiscalização.

Nos laboratórios clandestinos, os medicamentos eram produzidos sem condições sanitárias adequadas. A polícia afirma que substâncias eram misturadas a óleos de cozinha, óleo de semente de uva e óleo de arroz. Além disso, compostos veterinários e diuréticos eram adicionados às fórmulas sem qualquer informação nos rótulos.

As autoridades atribuem a esses produtos diversos casos de reações alérgicas graves, infecções, tromboses e até mortes de consumidores.

Operação Narciso

A estrutura criminosa foi alvo da Operação Narciso, deflagrada nesta quarta-feira (12) pela Polícia Civil do Distrito Federal.

A ação cumpriu 43 mandados de prisão preventiva e temporária, 64 mandados de busca e apreensão e bloqueou R$ 32 milhões em ativos financeiros. Também foram lacrados mais de 20 estabelecimentos comerciais, apreendidos 10 veículos de luxo — entre eles modelos das marcas Porsche, Audi e Mercedes-Benz — e retirados do ar mais de 30 sites utilizados para a venda ilegal dos produtos.

Organização tinha divisão de funções

As investigações apontam que a quadrilha possuía uma estrutura organizada, com funções específicas para cada integrante.

Enquanto Jiraiya seria responsável pelo comando do esquema, outros investigados atuariam na fabricação dos produtos, lavagem de dinheiro, distribuição, marketing nas redes sociais e fornecimento da matéria-prima. Entre os alvos da operação estão influenciadores, empresários e um biomédico suspeito de aplicar os anabolizantes clandestinos em clientes.

A Polícia Civil afirma que a Operação Narciso desarticulou uma das maiores redes de produção ilegal de anabolizantes do país e segue investigando a atuação dos envolvidos.

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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