Alexander Butterfield, ex-assessor da Casa Branca que desempenhou um papel decisivo na revelação do sistema secreto de gravações do presidente Richard Nixon durante o escândalo Watergate, morreu aos 99 anos. A morte foi confirmada à agência Associated Press por sua esposa, Kim Butterfield, e por John Dean, que atuou como conselheiro jurídico da Casa Branca no período.
Butterfield ficou conhecido por revelar, em 1973, a existência de um sistema de gravação instalado no Salão Oval e em outras áreas da Casa Branca, que registrava automaticamente as conversas do presidente. A descoberta forneceu provas importantes para a investigação do escândalo Watergate e contribuiu para a renúncia de Nixon em 1974.
Revelação decisiva na investigação
Na época, Butterfield ocupava o cargo de vice-assessor do presidente e era responsável por supervisionar o sistema de gravações ligado a dispositivos de escuta ativados por voz. Os equipamentos estavam instalados em quatro locais, incluindo o Salão Oval, um escritório no Edifício Executivo e a residência presidencial em Camp David.
Durante depoimento aos investigadores do caso Watergate, ele confirmou sob juramento que todas as conversas do presidente eram gravadas sempre que Nixon estava presente. Até então, o sistema era conhecido apenas por um pequeno grupo dentro da Casa Branca.
A revelação surpreendeu tanto aliados quanto críticos do presidente e abriu caminho para que investigadores solicitassem acesso às gravações.
Impacto no escândalo Watergate
As fitas acabaram revelando o envolvimento de Nixon na tentativa de encobrir o arrombamento ocorrido em 1972 na sede do Partido Democrata, no complexo Watergate, em Washington.
Após uma longa disputa judicial, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou, em julho de 1974, que Nixon entregasse as gravações. Menos de um mês depois, diante da ameaça de impeachment no Congresso, o presidente renunciou ao cargo em 9 de agosto de 1974.
Anos depois, Butterfield afirmou que sabia que as gravações poderiam ter grande impacto político. “Eu sabia o que havia nelas. Aquilo era dinamite”, disse em entrevista ao Museu e Biblioteca Presidencial de Nixon.
Trajetória profissional
Nascido em 6 de abril de 1926, em Pensacola, na Flórida, Alexander Porter Butterfield teve carreira militar antes de entrar para o governo. Ele serviu na Força Aérea dos Estados Unidos por cerca de 20 anos e se aposentou com o posto de coronel.
Entre 1969 e 1973, atuou na Casa Branca durante o governo Nixon, trabalhando diretamente com o chefe de gabinete H.R. Haldeman. Após deixar o cargo, assumiu a administração da Administração Federal de Aviação (FAA).
Depois de sair do serviço público, Butterfield passou a atuar como executivo no setor privado na Califórnia. Em 1994, concluiu um mestrado pela Universidade da Califórnia em San Diego.
Nos anos posteriores ao escândalo, Butterfield fez críticas duras ao ex-presidente, apesar de reconhecer alguns avanços de Nixon na política externa. Em entrevistas, chegou a afirmar que acreditava que o presidente tinha conhecimento do caso Watergate antes mesmo da invasão ao comitê democrata.
Ao lembrar da renúncia de Nixon, Butterfield disse ter sentido alívio. “A justiça prevaleceu”, afirmou.












































