Galvão Bueno decidiu encerrar sua participação societária na NSports após discordar da decisão da empresa de levar à Justiça uma disputa comercial contra o SBT. A companhia, parceira da emissora na transmissão da Copa do Mundo, cobra judicialmente cerca de R$ 40 milhões, valor que afirma estar relacionado a lucros que não teriam sido repassados.
O narrador defendia que o impasse entre as duas empresas fosse resolvido por meio de diálogo e negociação, sem a necessidade de uma disputa judicial. Diante do avanço do caso, Galvão comunicou que deixaria a sociedade.
Carta enviada antes do processo
Nove dias antes de a NSports recorrer à Justiça, Galvão Bueno enviou uma carta às filhas de Silvio Santos e à diretoria do SBT para explicar sua posição. No documento, encaminhado em 2 de setembro, o comunicador afirmou que abriria mão da integralização de sua participação societária caso a divergência entre as empresas se transformasse em um litígio.
“Já comuniquei aos sócios que, se a divergência com o SBT seguir para o litígio, vou abrir mão dessa integralização e encerrar minha parceria com a NSports”, declarou o apresentador.
Segundo o relato, Galvão já tinha ressalvas em relação a algumas decisões estratégicas e financeiras adotadas pela empresa. No entanto, sua principal discordância estava na maneira como a NSports decidiu conduzir a questão envolvendo os resultados comerciais da parceria com o SBT durante a Copa do Mundo.
Narrador rejeitou disputa judicial
Na carta, Galvão deixou claro que não concordava com a judicialização do conflito.
“Tenho ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas minha principal discordância está na forma escolhida para tratar os resultados comerciais da Copa do Mundo com o SBT. Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça”, afirmou.
O narrador também demonstrou preocupação com a possibilidade de sua imagem ser associada ao processo. Segundo ele, a NSports passou a ser identificada por parte do público e do mercado como “a TV do Galvão”, o que poderia gerar repercussão negativa.
“Não aceito que, depois do que construímos na Copa do Mundo, fique a imagem de que ‘a TV do Galvão’ está processando o SBT”, escreveu.
Galvão diz ter sido surpreendido
Ainda de acordo com a carta, Galvão afirmou ter sido surpreendido por algumas medidas adotadas durante as negociações entre as empresas. Ele relatou que sua equipe havia recebido orientação para estimular uma nova rodada de conversas antes que o conflito fosse levado aos tribunais.
O comunicador também afirmou que se posicionou contra o envio de notificações extrajudiciais ao SBT, às agências de publicidade e aos clientes envolvidos na parceria.
“Não concordo, não compactuo e não quero fazer parte desse tipo de prática”, registrou.
A decisão de Galvão ocorre em meio a uma disputa comercial que envolve valores milionários e coloca em lados opostos duas empresas que haviam trabalhado juntas na transmissão da Copa do Mundo. A informação sobre a carta e o posicionamento do narrador foi divulgada pela Folha de S.Paulo.










































