Quem viveu os anos 2000 certamente se lembra do prestígio associado a uma bolsa Victor Hugo. A marca brasileira de acessórios tornou-se símbolo de status, presença constante em editoriais de moda, no braço de celebridades e até com loja aberta em Nova York. Décadas depois do auge, porém, a grife enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória.
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou, no início de fevereiro, um pedido de falência contra empresas do grupo Victor Hugo. A ação foi movida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro, em razão de uma dívida que ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
Dívida bilionária
Segundo informações do processo, o débito total supera R$ 1,2 bilhão. Desse montante, cerca de R$ 900 milhões são devidos à União, enquanto aproximadamente R$ 355 milhões correspondem a débitos com o estado do Rio de Janeiro.
A decisão judicial atinge três empresas ligadas ao grupo, incluindo a Brasilcraft, uma das principais estruturas empresariais associadas à operação da marca.
Acusações de estratégia de inadimplência
As procuradorias acusam o grupo de utilizar a inadimplência tributária como parte de sua estratégia empresarial. De acordo com a denúncia, haveria um esquema de transferência da marca Victor Hugo para empresas offshore sediadas em paraísos fiscais, como Uruguai e Belize.
As investigações também apontam para movimentações patrimoniais entre empresas da própria rede com o objetivo de dificultar ou evitar a cobrança das dívidas fiscais. Desde sua fundação, em 1980, o grupo teria realizado ao menos dez alterações societárias.
Do auge à crise
Fundada na década de 1980, a Victor Hugo construiu uma imagem de luxo acessível no mercado brasileiro, consolidando-se como uma das principais marcas nacionais de acessórios premium. O pedido de falência marca um contraste significativo com o período de maior projeção da empresa, quando expandiu sua atuação para o exterior e figurava entre as grifes mais desejadas do país.
O caso agora segue sob análise judicial, e o desfecho poderá redefinir o futuro da marca no mercado brasileiro.








































