O produtor e compositor nova-iorquino James Tonic apresenta ao público Safety II, segundo capítulo da trilogia iniciada em 2025 com Safety. O novo trabalho chega com nove faixas que exploram vulnerabilidade, resistência silenciosa e momentos de clareza em meio ao caos emocional — tudo embalado por uma sonoridade etérea que já se tornou marca registrada do artista.
Já disponível nas plataformasde streaming, o álbum reafirma a identidade do músico dentro do dream pop contemporâneo, equilibrando introspecção e texturas modernas.
Atmosfera nebulosa e emoção à flor da pele
Desde a faixa de abertura, Safety II convida o ouvinte a atravessar uma paisagem enevoada onde passado e presente se misturam. Guitarras com bastante eco, linhas suaves de sintetizador e batidas relaxadas criam um ambiente íntimo — próximo, mas levemente distante, como uma lembrança que insiste em permanecer.
As canções centrais do disco ganham camadas de vocais leves sobre baterias orgânicas, construindo um ritmo fluido, quase respirável. Gravado em estúdios menores, o projeto preserva um caráter cru e emocional, evitando excessos de produção e priorizando sensibilidade e atmosfera.
O grande destaque é “Girl From Hell (Nobody, Somebody)”, faixa que sintetiza a proposta do álbum com um refrão hipnótico e repetitivo. A dualidade presente nos versos — especialmente na repetição de “Nobody, Somebody” — reforça a ideia de resistência e identidade em meio à confusão emocional.
Evolução artística e consolidação
James Tonic, que soma sete álbuns na carreira, ganhou projeção nacional com Stuck in LA (2024), trabalho que explorava sentimentos de deslocamento na Costa Oeste dos Estados Unidos e lhe rendeu turnês com ingressos esgotados. Esse impulso abriu caminho para a trilogia Safety, que investiga superação e reconstrução pessoal.
Se o primeiro capítulo falava sobre se reerguer, Safety II aprofunda o processo — é menos sobre a queda e mais sobre aprender a caminhar em meio à neblina.
Uma obra para ouvir e revisitar
Ao ouvir o álbum completo, fica evidente a maturidade artística de Tonic. A melancolia presente nas faixas é equilibrada com elementos sonoros atuais, criando uma experiência intensa e emocionalmente rica. O resultado é quase uma apoteose sensorial: cada música parece convidar ao replay imediato.
Safety II não é apenas uma continuação — é um refinamento. Um disco que confirma James Tonic como um nome relevante na cena indie dream pop e que prepara terreno para um desfecho de trilogia que promete fechar o ciclo com força e identidade.









































