A morte do ator James Van Der Beek, aos 48 anos, nesta quarta-feira (11), reacendeu o alerta para o câncer colorretal — o mesmo tipo de tumor que vitimou a cantora Preta Gil, aos 50 anos, em julho do ano passado. O artista, conhecido por seu papel na série Dawson’s Creek, enfrentava um tratamento intenso contra a doença desde 2023.
Van Der Beek descobriu o câncer após realizar uma colonoscopia de rotina, mesmo sem apresentar sintomas. Em entrevista ao Healthline, ele comentou que desconhecia mudanças recentes nas diretrizes médicas. “Antes do meu diagnóstico, eu não sabia muito sobre câncer colorretal. Eu nem percebi que a idade de triagem caiu para 45; eu achava que ainda era 50”, afirmou.
O que é o câncer colorretal
De acordo com o oncologista Artur Ferreira, da Oncoclínicas, o câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso — também chamado de cólon — ou no reto, a parte final do intestino.
O tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por cerca de 90% dos casos. Esse tumor geralmente se origina a partir de pólipos, pequenas lesões que surgem na parede interna do intestino. Quando não identificados e removidos, esses pólipos podem sofrer alterações ao longo dos anos e se tornar malignos.
Sintomas: quando acender o alerta
Embora muitas vezes seja silenciosa, a doença pode apresentar sinais que não devem ser ignorados. Entre os principais sintomas estão:
- Alterações no hábito intestinal (constipação ou diarreia persistente);
- Afilamento das fezes;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Presença de sangue nas fezes;
- Dores abdominais frequentes;
- Massa palpável no abdômen;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Fraqueza e fadiga.
Segundo o especialista, qualquer mudança persistente deve ser investigada por um médico.
Fatores de risco
O desenvolvimento do câncer colorretal está associado a diversos fatores, entre eles:
- Dietas ricas em alimentos ultraprocessados e pobres em fibras;
- Consumo elevado de carnes vermelhas;
- Sobrepeso e obesidade;
- Sedentarismo;
- Tabagismo;
- Doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa.
Fatores hereditários também podem contribuir, mas, segundo Ferreira, têm impacto menor na maioria dos casos.
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
Grande parte dos casos de câncer colorretal pode ser curada, especialmente quando a doença é identificada precocemente. A colonoscopia é considerada o principal exame para rastreamento, pois permite não apenas visualizar o intestino, mas também remover pólipos antes que se tornem câncer.
“Diferentemente do câncer de mama, que costuma ser identificado já instalado, ainda que em fase inicial, o tumor colorretal pode ser descoberto em sua fase pré-cancerosa por meio da colonoscopia”, explica o oncologista.
Após o diagnóstico, uma equipe multidisciplinar avalia cada caso individualmente para definir as melhores estratégias terapêuticas, que podem incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou terapias-alvo.
A recomendação atual é que o rastreamento comece aos 45 anos para pessoas sem fatores de risco adicionais — medida que pode fazer toda a diferença na detecção precoce e na redução da mortalidade pela doença.









































