Juarez Machado, um dos mais versáteis artistas plásticos brasileiros, morreu na tarde desta terça-feira (6), aos 85 anos, em uma cidade do interior do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo Instituto Internacional Juarez Machado, instituição criada pelo próprio artista em Joinville, sua cidade natal. As circunstâncias da morte não foram informadas.
A morte de Machado provocou manifestações de pesar em Joinville. A Prefeitura decretou três dias de luto oficial. A prefeita Rejane Gambin destacou a importância do artista para a cultura local e ressaltou sua contribuição para projetar o nome de Joinville no Brasil e no exterior.
Uma vida dedicada à arte
Nascido em Joinville em 16 de março de 1941, Juarez Machado teve contato com as artes desde a infância. Ao longo de mais de 60 anos de carreira, transitou por diferentes linguagens e atividades, atuando como pintor, desenhista, escultor, caricaturista, cenógrafo, escritor e ator.
Sua trajetória também esteve ligada à televisão brasileira. Machado ficou conhecido do grande público, entre outros trabalhos, por suas participações como mímico no programa Fantástico, da TV Globo, onde utilizava o humor e a expressão corporal para criar personagens e situações sem o uso da fala.
Depois de se formar na Faculdade de Belas Artes e trabalhar como cenógrafo na TV Paraná, mudou-se para o Rio de Janeiro. Na então capital cultural do país, aproximou-se de importantes nomes do humor e da imprensa brasileira, como Ziraldo, Jaguar e Millôr Fernandes.
Machado também colaborou com alguns dos principais veículos de comunicação do país, entre eles O Pasquim, Jornal do Brasil e O Cruzeiro, consolidando-se como desenhista e caricaturista.
Reconhecimento internacional
Na década de 1980, Juarez Machado mudou-se para Paris e passou a viver no tradicional bairro de Montmartre, conhecido por sua forte relação com as artes. A capital francesa se tornou uma importante base para sua produção artística e para a expansão de seu trabalho internacionalmente.
Suas obras alcançaram países como Estados Unidos, Portugal, Itália, Japão, Suíça, Bélgica e Austrália.
O trabalho de Machado também chegou ao cinema. Pinturas de sua autoria aparecem na decoração do quarto da protagonista de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, filme francês dirigido por Jean-Pierre Jeunet e lançado em 2001.
Legado em Joinville
Mesmo com uma trajetória internacional, Juarez Machado manteve uma forte ligação com Joinville. Em 2014, criou na cidade o Instituto Internacional Juarez Machado, espaço dedicado à preservação e à divulgação de sua produção artística.
O instituto reúne galerias, biblioteca e parte do acervo pessoal do artista e se tornou um importante espaço cultural da cidade.
Ao anunciar sua morte, a instituição homenageou Machado como um “cidadão do mundo” e destacou a dimensão de seu legado, que ultrapassou fronteiras e ajudou a inserir Joinville no circuito cultural internacional.












































