Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal apontam que ele tinha influência sobre a produção editorial do portal Metrópoles. Segundo levantamento publicado pelo UOL nesta quinta-feira (15), reportagens eram encaminhadas ao empresário antes de serem divulgadas, e parte dos textos era modificada após suas solicitações.
De acordo com a apuração, pelo menos 14 reportagens foram enviadas previamente a Vorcaro. Em 11 casos, houve alterações após pedidos do então banqueiro. As conversas também registram situações em que pautas teriam sido sugeridas a partir de interesses ligados ao Banco Master.
A aproximação entre Vorcaro e Lilian Tahan, CEO do grupo Metrópoles, começou em 2024, mesmo ano em que o Banco Master firmou um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o portal. As mensagens analisadas indicam que a relação ultrapassava, em determinadas ocasiões, o contato comercial e envolvia discussões sobre o conteúdo das reportagens.
Alterações em matérias e sugestões de pauta
Entre os episódios identificados estão pedidos para retirar informações de reportagens e modificar a abordagem de textos relacionados ao Banco Master e a pessoas envolvidas na análise de operações financeiras da instituição.
Em abril de 2025, por exemplo, Vorcaro contestou uma informação sobre uma suposta proposta de compra de ativos do banco por R$ 1. Após a reclamação, Lilian Tahan respondeu que o conteúdo seria retirado.
Em outra conversa, a executiva apresentou ao empresário a possibilidade de publicar uma comparação entre os balanços do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB). Vorcaro demonstrou interesse e pediu para conferir os dados antes da divulgação. Segundo a reportagem, o material foi publicado após ser submetido a ele.
As mensagens também mostram interferências em textos sobre Renato Gomes, então diretor do Banco Central envolvido na análise da operação de aquisição do Master pelo BRB. Vorcaro sugeriu mudanças na abordagem das matérias, incluindo a retirada de trechos sobre a situação financeira do banco e alterações na maneira como o dirigente era apresentado. Conforme o levantamento, as solicitações foram atendidas.
Outro episódio envolve Ricardo Cappelli, crítico da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Em agosto de 2025, Vorcaro pediu que a cobertura sobre o político fosse reduzida temporariamente. Na conversa reproduzida pelo UOL, Lilian Tahan respondeu que cuidaria do assunto.


Contrato milionário entre o banco e o portal
As mensagens também detalham a negociação comercial entre o Banco Master e o Metrópoles. Segundo a reportagem, além de pagamentos realizados em 2024 para ações e projetos relacionados à educação financeira, foi acertado um contrato publicitário de R$ 20 milhões, quitado em parcelas ao longo de 2025.
Em uma das conversas, Vorcaro demonstrou apoio ao valor negociado, apesar de uma integrante da equipe do banco ter questionado o custo do acordo.

A proximidade entre o contrato comercial e as intervenções editoriais levanta questionamentos sobre a independência jornalística e os possíveis conflitos de interesse na relação entre empresas de comunicação e anunciantes.
CEO apresenta justificativa
Questionada sobre o envio antecipado de reportagens a Vorcaro, Lilian Tahan afirmou que costuma consultar fontes empresariais, políticas e do Judiciário para verificar se o contexto apresentado nas matérias corresponde às informações fornecidas ao veículo.
A executiva também negou que o contrato publicitário com o Banco Master tivesse relação com a cobertura jornalística de interesse da instituição. Como justificativa, mencionou reportagens do próprio Metrópoles que abordaram problemas envolvendo empresas relacionadas a Vorcaro.










































