Ahn Sung Ki, um dos atores mais respeitados e queridos da história do cinema sul-coreano, morreu nesta segunda-feira aos 74 anos. A informação foi confirmada por sua agência, a Artist Company, por meio das redes sociais. A causa da morte não foi oficialmente divulgada, mas a imprensa local informou que o ator estava internado em Seul desde a semana passada após se engasgar com um pedaço de comida.
Em 2022, Ahn Sung Ki havia revelado que estava em tratamento contra um câncer no sangue desde 2019. Dono de uma imagem pública marcada pela gentileza e humildade, ele construiu uma carreira que atravessou mais de seis décadas e o consagrou como um verdadeiro símbolo da indústria cinematográfica do país.
Ahn estreou no cinema ainda criança, aos 5 anos de idade, no filme “The Twilight Train” (1957), no qual interpretou um órfão. Ao longo da vida, participou de mais de 180 produções, segundo o Festival Internacional de Cinema de Busan, evento no qual atuou como vice-presidente executivo entre 2005 e 2015. A Associação Coreana de Atores de Cinema o definiu como um “verdadeiro ator da nação”, conhecido por priorizar “dignidade e responsabilidade acima de tudo”.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, lamentou a morte do artista nas redes sociais, afirmando que Ahn Sung Ki “deixou uma grande marca na história do cinema coreano”. Ele também destacou a postura humilde do ator, que, segundo o presidente, nunca fez distinção entre papéis principais e coadjuvantes.
Entre seus trabalhos mais lembrados estão “A Fine, Windy Day” (1980), no qual interpretou um entregador de um restaurante chinês, e “Two Cops” (1993), filme em que viveu um policial corrupto. Seu repertório incluiu papéis variados, como um monge budista em “Mandala” (1981) e dois presidentes fictícios da Coreia do Sul em “The Romantic President” (2002) e “Hanbando” (2006). Ao longo da carreira, recebeu mais de 20 prêmios no cinema sul-coreano.
Nascido em Daegu, em 1º de janeiro de 1952, Ahn era filho do produtor de cinema Ahn Hwa-young. Após atuar em diversos filmes na infância e adolescência, afastou-se temporariamente da atuação para estudar na Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros, em Seul, onde se formou em vietnamita. Depois de concluir os estudos, retomou a carreira artística com força total.
Além de sua atuação no cinema, Ahn Sung Ki também teve papel importante fora das telas. Desde 1993, atuava como embaixador da boa vontade do Comitê Coreano do UNICEF. Nos anos 1990, engajou-se ativamente na defesa de cotas para filmes nacionais nas salas de cinema, diante da crescente concorrência de produções de Hollywood.
Em entrevista de 2006, ao celebrar 50 anos de carreira, o ator afirmou que, além da dedicação, era fundamental manter o prazer no trabalho. “É importante ser sincero no set de filmagem, mas também se divertir”, disse à época.
No cinema internacional, participou de “Last Knights” (2015), ao lado de Clive Owen e Morgan Freeman. Seu último trabalho foi “Noryang: Deadly Sea” (2023), no qual interpretou um comandante naval do século XVI.
Ahn Sung Ki deixa a esposa, Oh So-young, com quem era casado desde 1985, e dois filhos, Da-bin e Philip.














































