O cineasta americano Frederick Wiseman morreu aos 96 anos, em sua casa em Cambridge, Massachusetts, nesta segunda-feira (16). A informação foi confirmada por familiares e por sua produtora, a Zipporah Films. Considerado um dos maiores nomes do documentário contemporâneo, Wiseman deixa uma carreira marcada por mais de seis décadas de produção ininterrupta e um estilo que influenciou gerações de realizadores.
Um estilo que redefiniu o documentário
Reconhecido pela abordagem direta e sem narração, Wiseman desenvolveu um método conhecido como “cinema observacional”. Seus filmes dispensavam entrevistas formais e trilhas explicativas, permitindo que situações e personagens se revelassem naturalmente diante da câmera.
Ao longo da carreira, ele voltou seu olhar para instituições públicas e privadas — escolas, hospitais, tribunais, repartições públicas, companhias de dança e restaurantes — sempre interessado em mostrar como funcionam as estruturas que moldam a vida em sociedade.
Seu primeiro grande impacto veio com Titicut Follies (1967), retrato contundente de um hospital-prisão para pessoas com transtornos mentais em Massachusetts. O filme gerou controvérsia e chegou a ser proibido por anos, tornando-se símbolo do poder crítico do documentário.
Décadas depois, já nonagenário, manteve o ritmo de produção com obras como City Hall, sobre a administração municipal de Boston, e Menus-Plaisirs – Les Troisgros, que acompanha os bastidores de um tradicional restaurante francês.
Formação e trajetória
Nascido em Boston, em 1930, Wiseman formou-se em direito pela Yale Law School antes de migrar definitivamente para o cinema nos anos 1960. A experiência jurídica influenciou seu interesse por estruturas institucionais e relações de poder, temas recorrentes em sua filmografia.
Ao longo da vida, realizou mais de 45 documentários, quase todos produzidos de forma independente. Seu método rigoroso envolvia meses de filmagem e longos processos de montagem, resultando em obras densas e detalhistas.
Reconhecimento internacional
O cineasta recebeu diversos prêmios e homenagens. Em 2016, foi agraciado com um Oscar honorário concedido pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, em reconhecimento à sua contribuição excepcional ao cinema. Também recebeu distinções importantes no Festival de Veneza e em outros eventos internacionais.
Mesmo na velhice, Wiseman seguia ativo e engajado na produção artística, mantendo a mesma disciplina e curiosidade intelectual que marcaram sua juventude.










































