O cineasta húngaro Béla Tarr, referência central do cinema autoral europeu, morreu nesta terça-feira (6/1), aos 70 anos. A informação foi confirmada pelo diretor Bence Fliegauf à agência de notícias MTI, em nome da família.
Reconhecido por seu estilo rigoroso, marcado por longos planos-sequência, ritmo contemplativo e forte densidade filosófica, Tarr construiu uma filmografia que influenciou gerações de cineastas ao redor do mundo. Sua obra mais conhecida é Satantango (1994), filme de aproximadamente sete horas de duração frequentemente citado por críticos como uma das grandes obras-primas da história do cinema.
Ambientado no Leste Europeu pós-comunista, Satantango retrata o colapso material e espiritual de uma comunidade rural, oferecendo um retrato sombrio e hipnótico do fim de uma era. O longa é baseado no romance homônimo do escritor húngaro László Krasznahorkai, parceiro criativo recorrente de Tarr.
A colaboração entre Tarr e Krasznahorkai resultou em alguns dos títulos mais emblemáticos do cinema húngaro contemporâneo, como Harmonias de Werckmeister (2000) e O Cavalo de Turim (2011). Este último foi anunciado pelo próprio diretor como seu filme de despedida, marcando oficialmente o encerramento de sua carreira no cinema.
Com uma obra profundamente autoral e desafiadora, Béla Tarr deixa um legado duradouro, consolidando-se como um dos cineastas mais importantes e influentes do cinema europeu moderno.















































