Morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, Nilton Travesso, um dos nomes importantes da história da televisão brasileira. Com uma trajetória de mais de sete décadas, o diretor participou da criação e realização de programas que marcaram diferentes gerações de telespectadores, deixando sua contribuição em algumas das principais emissoras do país, como Globo, Record, Bandeirantes, Manchete e SBT.
O velório será realizado neste sábado (7), das 10h às 17h, na Funeral Home, localizada no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo.
Travesso iniciou sua carreira em 1953, justamente no ano de fundação da TV Record, onde integrou o grupo dos primeiros profissionais da emissora. Anos depois, chegou à TV Globo, a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para participar de um dos projetos mais importantes da televisão brasileira: o programa Fantástico, em 1974.
Em 1975, esteve à frente da produção de América do Sul, trabalho musical protagonizado por Ney Matogrosso e considerado o primeiro videoclipe da televisão brasileira. A gravação, realizada fora dos estúdios, em meio à floresta, representou uma experiência inovadora para a época.
Durante a década de 1980, Travesso participou da criação de atrações que conquistaram espaço na programação da televisão, como Som Brasil e TV Mulher. Também comandou projetos voltados ao público infantil, como Balão Mágico, e foi diretor executivo do Chico Anysio Show, em 1986.
Reconhecido pela versatilidade e pela capacidade de liderar grandes equipes, o diretor também acumulou trabalhos na dramaturgia e em programas de diferentes formatos. Entre suas experiências, esteve a direção do Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga.
Sua importância para a televisão brasileira também foi lembrada por grandes nomes da comunicação. Em 2017, durante participação no programa Conversa com Bial, Pedro Bial e Jô Soares destacaram sua contribuição e sua relevância nos bastidores da televisão.
Em outra participação no Mais Você, em 2000, Ana Maria Braga ressaltou o papel de Travesso na construção da televisão brasileira e seu carinho pelos profissionais com quem trabalhava. Na ocasião, o diretor demonstrou a paixão que tinha pela profissão ao afirmar que não saberia fazer outra coisa na vida. Para ele, trabalhar com televisão era algo fascinante.
Legado também na formação de novos talentos
Além da atuação nos bastidores das emissoras, Nilton Travesso também dedicou parte de sua trajetória à formação de novos profissionais.
Em 2001, fundou a Nilton Travesso Oficina de Atores, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. A instituição nasceu com a proposta de preparar artistas para o mercado de trabalho, preservando a essência e os fundamentos do teatro.
A escola oferece formação em diferentes áreas das artes cênicas e do audiovisual. Além das aulas de interpretação, os alunos têm contato com conhecimentos de produção executiva e artística, operação técnica, cenografia e figurino.
Com uma carreira marcada pela inovação, pela formação de talentos e pela participação em produções históricas, Nilton Travesso deixa um legado que atravessa gerações e se confunde com a própria evolução da televisão brasileira.











































