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Mulher alemã processa Google após fotos íntimas vazadas na internet

Logotipo do Google é visto em escritório da empresa em Mountain View, na Califórnia - Foto: Reprodução
Logotipo do Google é visto em escritório da empresa em Mountain View, na Califórnia - Foto: Reprodução

Uma jovem alemã, que prefere ser identificada como Laura, está processando o Google na Irlanda após ter fotos e vídeos íntimos roubados de sua nuvem e amplamente divulgados na internet. O caso, que se tornou um “pesadelo” para a vítima, levanta questões cruciais sobre o direito à privacidade, o papel das gigantes da tecnologia na proteção de dados e a violência digital contra mulheres.

O drama da exposição online

O pesadelo de Laura começou em 2023, quando ela descobriu, por acaso, que fotos e vídeos íntimos dela e de seu parceiro haviam sido roubados e postados em sites pornográficos. O conteúdo, que nunca foi feito para ser publicado, podia ser encontrado facilmente na busca do Google, que inclusive expunha o nome de Laura, pois um documento de identidade também foi invadido.

A exposição mudou a vida da jovem. Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, ela relatou que se sentiu “violada”. O trauma foi tão grande que a levou a mudar de cidade, trocar de emprego e a desenvolver transtorno de estresse pós-traumático.

A luta contra a violência digital

Buscando ajuda, Laura procurou a HateAid, uma organização sem fins lucrativos que auxilia vítimas de ódio e violência online. Com o apoio da instituição, ela denunciou mais de 2.000 URLs ao Google, na tentativa de remover as imagens.

Embora o Google tenha removido alguns dos resultados de pesquisa, as fotos e vídeos, incluindo versões deepfakes (imagens manipuladas com inteligência artificial), continuam a aparecer na internet e na plataforma de busca.

Ações e expectativas judiciais

Incapaz de resolver o problema extrajudicialmente, Laura, com o apoio da HateAid, decidiu entrar com uma ação contra o Google na Irlanda. A diretora executiva da organização, Josephine Ballon, explicou que a HateAid cobrirá todos os custos, pois poucas vítimas teriam condições de enfrentar uma empresa tão poderosa sozinhas.

O objetivo do processo é claro: esclarecer se as plataformas de busca são legalmente obrigadas a remover permanentemente conteúdo denunciado, mesmo que ele seja republicado em outro site.

Desafios técnicos e legais

A especialista em proteção de dados Marit Hansen afirma que o caso de Laura dá continuidade a uma discussão iniciada há 11 anos, com o “direito ao esquecimento”. Segundo ela, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia exige que o uso de dados pessoais seja controlável, o que impõe obrigações às plataformas de busca.

No entanto, Hansen explica que, embora seja relativamente fácil remover cópias exatas de uma imagem, a situação se complica com deepfakes ou conteúdos “extremamente semelhantes”. Isso porque as tecnologias de busca reversa ainda não são 100% precisas.

Apesar disso, a especialista acredita que empresas como o Google devem, em princípio, ser responsabilizadas. Questionado sobre o caso, o Google não respondeu à DW.

“Google lucra com a violência contra as mulheres”

Para a HateAid, o caso de Laura não é apenas sobre proteção de dados, mas sobre violência sexualizada baseada em imagens contra mulheres. Josephine Ballon ressalta que o Google lucra com esse tipo de crime ao tornar o conteúdo acessível a um público amplo.

O problema tem afetado cada vez mais pessoas, não apenas celebridades, como a cantora Taylor Swift ou a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. O caso de Laura, que não é uma figura pública, serve como um alerta de que qualquer pessoa pode ser vítima de violência digital.

A ação judicial busca proteger as vítimas, evitando que elas precisem passar a vida inteira procurando e solicitando a remoção de suas próprias imagens, um estresse psicológico imenso que poderia ser evitado com mais responsabilidade das plataformas.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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