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“Não tenho vergonha”: Michel rebate passageiro que ironizou seu trabalho como motorista de aplicativo

Mineiro concilia corridas por aplicativo, publicidade nas redes sociais e faculdade de Medicina Veterinária; para ele, todo trabalho é digno e honesto.

“Não tenho vergonha”: Michel rebate passageiro que ironizou seu trabalho como motorista de aplicativo
Reprodução

Michel Nogueira, de 35 anos, voltou a repercutir nas redes sociais após ser reconhecido por um passageiro enquanto trabalhava como motorista de aplicativo em Belo Horizonte (MG). O cliente publicou detalhes da corrida e fez um comentário irônico sobre a atividade profissional do mineiro, insinuando que ele estaria enfrentando dificuldades financeiras. A situação levou Michel a se manifestar publicamente e defender a dignidade do trabalho.

Na publicação, compartilhada no X, antigo Twitter, o passageiro exibiu informações da corrida, incluindo uma foto de Michel, o modelo e a placa do veículo, além da avaliação do motorista no aplicativo. A atitude gerou repercussão, e o mineiro questionou por que exercer uma profissão deveria ser motivo de vergonha.

Em entrevista, Michel explicou que trabalhar como motorista não é uma novidade em sua vida. A escolha foi planejada, principalmente pela flexibilidade de horários, que permite conciliar as corridas com os compromissos profissionais e a graduação em Medicina Veterinária.

“Não tenho vergonha”: Michel rebate passageiro que ironizou seu trabalho como motorista de aplicativo
Michel Nogueira – Foto: Divulgação

“Todo trabalho é digno. Não é sobre valor. Poderia ser um emprego de um salário mínimo. É um trabalho digno, honesto”, afirmou ao comentar o episódio.

Segundo ele, sua resposta não foi motivada apenas pela situação pessoal, mas pela forma como a profissão foi tratada. Michel também se surpreendeu com a repercussão, já que havia falado anteriormente sobre sua rotina como motorista.

Repercussão nas redes sociais

Apesar do comentário depreciativo, o episódio também despertou manifestações de apoio. Michel conta que recebeu mensagens de pessoas que se identificaram com sua realidade e com a necessidade de conciliar diferentes atividades para garantir a própria renda.

Na avaliação dele, essa identificação está relacionada à imagem de sucesso frequentemente apresentada nas redes sociais, onde influenciadores costumam compartilhar uma rotina marcada por viagens, consumo e conquistas financeiras.

“Hoje, influencers, blogueiros que a gente vê costumam vender uma vida perfeita”, observou.

Para Michel, a exposição de uma realidade mais próxima do cotidiano da maioria dos trabalhadores ajudou a criar uma conexão com o público. “Acho que, quando viu, ‘opa, esse aqui tem a vida igual à minha’, as pessoas tiveram essa conexão”, refletiu.

Fama não significa estabilidade financeira

Embora a participação em um programa de televisão tenha ampliado sua visibilidade e proporcionado novas oportunidades, Michel afirma que não conseguiu construir uma fonte de renda capaz de substituir completamente suas outras atividades profissionais.

“A televisão é uma vitrine”, resume.

Ele explica que os trabalhos surgidos após a exposição pública variam de acordo com o perfil de cada participante e nem sempre garantem uma renda constante. No caso dele, as campanhas publicitárias e as parcerias nas redes sociais continuam fazendo parte da rotina, mas não acontecem com a mesma frequência ao longo do ano.

Michel também observa que a agenda de compromissos diminuiu em comparação com o período inicial após sua participação na televisão. Ainda assim, segue presente nas redes sociais, produz conteúdo, participa de eventos e realiza trabalhos comerciais.

Nesse cenário, atuar como motorista de aplicativo tornou-se uma alternativa para manter a autonomia financeira sem depender exclusivamente da publicidade ou da fama.

“Uma palavra que resume hoje é flexibilidade e autonomia”, afirmou.

De babá a professor: uma trajetória marcada por diferentes profissões

Antes de ganhar notoriedade nacional, Michel já havia trabalhado em diferentes áreas. Sua trajetória profissional inclui experiências como babá, animador de festas, auxiliar de produção e motorista de uma fundação hospitalar em Minas Gerais, onde transportava médicos que realizavam atendimentos domiciliares.

A experiência anterior ao volante contribuiu para que se adaptasse à rotina dos aplicativos de transporte. Além de conhecer Belo Horizonte, ele afirma que sempre esteve disposto a assumir diferentes funções para alcançar seus objetivos.

Durante o período em que trabalhou como professor de Geografia, por exemplo, Michel buscava outras fontes de renda. Ele atuava em jogos de futebol no Mineirão, shows e outros eventos, conciliando os trabalhos extras com a rotina escolar.

“O importante era eu conseguir os objetivos que eu tinha em cada época da minha vida”, recordou.

A carreira na educação começou cedo: aos 21 anos, ele já dava aulas. Michel mantém carinho pela profissão e não descarta a possibilidade de voltar a lecionar no futuro.

Faculdade de Medicina Veterinária e novos planos profissionais

Aos 28 anos, Michel começou a questionar os rumos de sua carreira. Embora tenha considerado seguir na área acadêmica, com mestrado e doutorado, passou a enxergar uma segunda graduação como uma oportunidade de ampliar suas perspectivas profissionais.

Foi então que decidiu cursar Medicina Veterinária, área pela qual já tinha interesse. A decisão coincidiu com o desejo de sua irmã, professora de Matemática, de realizar a mesma graduação. Os dois começaram o curso juntos.

Michel precisou interromper os estudos para participar de um programa de televisão, enquanto a irmã concluiu a faculdade em dezembro de 2025. Agora, ele se prepara para finalizar a própria formação.

Atualmente, suas manhãs são dedicadas ao estágio obrigatório da graduação. À tarde e à noite, costuma trabalhar como motorista de aplicativo. Nos intervalos, também responde aos seguidores, produz conteúdo para as redes sociais e cumpre compromissos comerciais.

Na universidade, desenvolveu interesse por áreas como reprodução animal e diagnóstico por imagem. Ele relata ter participado de duas pesquisas científicas apresentadas em um congresso internacional de reprodução e também considera oportunidades relacionadas à fiscalização de produtos de origem animal.

Uma rotina que vai além da imagem nas redes sociais

Para Michel, a repercussão envolvendo o passageiro evidencia a diferença entre a imagem de sucesso projetada nas plataformas digitais e a realidade de quem precisa trabalhar para manter a própria vida financeira.

Ele não considera que exercer uma atividade fora do universo da publicidade ou do entretenimento represente um retrocesso profissional. Pelo contrário, vê a possibilidade de combinar diferentes ocupações como uma maneira de continuar investindo nos próprios objetivos.

Entre as corridas por aplicativo, os compromissos comerciais e a faculdade, Michel segue construindo uma trajetória que reúne experiências de diferentes fases da vida.

Ao comentar sua rotina, ele reforça que o trabalho sempre teve um papel importante em suas escolhas. “Sempre gostei de trabalhar”, concluiu.

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Diego Cartaxo é radialista, jornalista e empreendedor digital. Com trajetória marcada pela inovação na comunicação e no entretenimento, é fundador e Editor-chefe do Portal POP Mais, hoje considerado um dos principais veículos independentes de cultura pop e variedades em crescimento no Brasil. Antes do site, trabalhou na TV Metrópole, onde atuou na reestruturação da marca e da programação da emissora.

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