A cerimônia do Globo de Ouro 2026 acontece neste domingo (11) e coloca o cinema brasileiro em evidência. O Agente Secreto, novo longa de Kleber Mendonça Filho, chega à premiação concorrendo a três categorias de destaque: Melhor Filme de Drama, Melhor Ator em Filme de Drama — com Wagner Moura — e Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Com uma produção marcada por rigor histórico, referências culturais e escolhas narrativas singulares, o filme guarda curiosidades que ajudam a entender sua força internacional. Confira:
Inspiração literária, não adaptação
Apesar de compartilhar o título com o romance O Agente Secreto, de Joseph Conrad, publicado em 1907, o filme não é uma adaptação direta da obra. A conexão está no diálogo temático: conspirações, espionagem e dilemas morais atravessam tanto o clássico da literatura quanto o roteiro original de Kleber Mendonça Filho, ambientado no Brasil dos anos 1970.

A lenda da perna cabeluda
Um dos elementos mais comentados do longa é a cena envolvendo uma perna cabeluda encontrada dentro da boca de um tubarão. O episódio faz referência a uma lenda urbana que circulou no Recife nos anos 1970. A história ganhou notoriedade após ser publicada em 1976 pelo escritor Raimundo Carrero, no Diário de Pernambuco, e se espalhou pelas rádios, pelo Carnaval — virou frevo — e até por uma escultura de oito metros instalada no Marco Zero da cidade.
Reconstrução minuciosa do Brasil de 1977
Para recriar a atmosfera da época, a produção mobilizou uma operação rara no cinema nacional. Ao todo, 169 veículos antigos foram usados nas filmagens, incluindo 41 Fuscas restaurados por colecionadores de vários estados. Em cenas de grande escala, como as de Carnaval, até 200 figurantes atuaram simultaneamente.
Diálogo com o cinema clássico
O filme carrega referências explícitas a obras como Tubarão, de Steven Spielberg, e a títulos emblemáticos do cinema policial brasileiro dos anos 1970, como Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia (1977). Essas influências ajudam a moldar o suspense da narrativa e o uso de elementos simbólicos e grotescos ao longo da trama.

Transformações dos atores
A caracterização teve papel central no processo criativo. João Vitor Silva passava entre uma hora e meia e duas horas diárias em maquiagem, incluindo a aplicação de uma cicatriz na cabeça e uma prótese dentária tão realista que chegou a confundir o público fora do set. Wagner Moura, por sua vez, passou por três caracterizações diferentes para representar distintas fases de seu personagem.
Do roteiro ao livro
O universo do filme ultrapassou as telas. O roteiro original de O Agente Secreto foi publicado em livro, com prefácio assinado por Kleber Mendonça Filho e posfácio de Wagner Moura. A edição ainda reúne imagens exclusivas de storyboards e bastidores, segundo a editora Galera Record.
Produção com olhar internacional
A equipe técnica reuniu profissionais de diferentes países. A direção de fotografia ficou a cargo da russa Evgenia Alexandrova, enquanto a produção executiva contou com a francesa Emilie Lesclaux. A combinação de referências europeias com a narrativa brasileira contribui para o visual contrastante do Recife retratado no filme.
Um prêmio fora do comum
Durante sua exibição no Festival de Cinema de Nova York, o longa recebeu o irreverente Golden Beast, prêmio informal concedido ao melhor “bicho, besta ou criatura” da programação. As vencedoras foram as gatas Liza e Elis, celebradas pela equipe do filme nas redes sociais após a entrega do troféu.
Com atenção aos detalhes, diálogo com a cultura brasileira e reconhecimento internacional crescente, O Agente Secreto chega ao Globo de Ouro como um dos momentos mais emblemáticos do cinema nacional nos últimos anos.














































