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Das trilhas de novela ao lo-fi beat: Paulo Vaz, tecladista do Supercombo, lança álbum solo viajante

Paulo Vaz
Foto: Reprodução

A vida é cheia de estações. À medida que passamos pelas estações do ano, experimentamos diferentes climas, cores e aromas. Enquanto zapeamos pelas estações de rádio, atravessamos rapidamente vários tipos de sons. E quando viajamos de trem, cada estação revela uma paisagem nova, um lugar diferente, com povos, costumes e atributos naturais desconhecidos. É baseado na sensação de percorrer esses itinerários que Railway, novo álbum de Paulo Vaz, chega às plataformas de streaming nessa sexta-feira (22).

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O tecladista da banda Supercombo, cantor e compositor propõe uma viagem hipnótica por diversos estilos de música, envelopados pela estética lo-fi, numa turnê pelo universo paralelo de Paulo Vaz. É com este termo que ele define seu caminho fora do coletivo musical que o levou a grandes palcos desde 2011. “É uma vertente que eu vou trazer até ficar velho, porque eu realmente entendi que, paralelo à canção que fazemos na Supercombo, eu quero seguir por esse caminho instrumental”, avalia o artista.

A trajetória

O primeiro lançamento de Paulo Vaz, Janela, de 2010, é um álbum fundamentalmente de canções. Fora do lugar, de 2012, segue afeito às palavras. Com URL, em 2019, o artista dá uma guinada, não só fazendo um disco todo instrumental, com alguns vocais aparecendo mais como samplers, mas também se jogando na música eletrônica. Em 2020, vem Pra dormir e acordar, um álbum instrumental orientado ao lúdico infantil. Em 2022, chega o primeiro álbum voltado para a música instrumental contemporânea, Rebuild. O disco inaugura uma quadrilogia cujo segundo álbum chega no primeiro semestre do ano que vem.

O selo

Enquanto isso, Railway marca a adesão total do músico à música instrumental, aventurando-se pela textura relaxante do lo-fi. Paulo começou a se interessar pelo estilo no início da pandemia, quando buscava referências para seu próximo disco, e inevitavelmente caiu nas graças da música ambiente de baixa fidelidade sonora. A primeira incursão veio ainda este ano, quando lançou a faixa Smooth talk, em parceria com FaOut e Ricardo Schneider, dois dos maiores nomes da cena lo-fi brasileira, pelo selo deles, Tangerina, o maior do gênero no país.

Railway chega pelo selo Phant Music, fundado por Vaz em sociedade com Carlos Boiseaux e Tadeu Patolla, produtor que descobriu a banda Charlie Brown Jr., produziu o primeiro disco deles e trabalhou assiduamente com os santistas. O objetivo do selo é descobrir e lançar novos artistas no mercado, ou alavancar a carreira de veteranos que ainda tem pouca visibilidade. O lançamento do disco de Paulo marca a entrada do selo, até então mais voltado para o indie, rock e MPB, na cena lo-fi. A meta é lançar pelo menos dois discos do gênero por ano, abraçando novos artistas e dando sua contribuição ao estilo.

O conceito

Quando compõe, Paulo Vaz, que trabalha com trilhas sonoras para tevê e publicidade desde 1994, costuma pensar em temas cinematográficas. Com o novo álbum, o processo foi semelhante: desde o início, Paulo idealizou o conceito de criar cada música como se o ouvinte estivesse passando por várias estações de trem, experimentando diferentes texturas, ambientes e estados de espírito. O compositor partiu de imagens formuladas na cabeça, e os títulos também remetem a essas paisagens, estimulando a imaginação do ouvinte. “A cada estação você vai tendo uma sensação diferente. Você começa em uma estação onde sente a euforia de começar uma viagem, vaga por um tempo e experimenta várias passagens, fica ansioso pelo final e termina com o prazer de chegar ao seu destino”, descreve o artista. “Tudo isso tem a ver com instrumental de cada música a ordem em que as faixas foram dispostas”, conclui.

Embora sigam o típico compasso quaternário do lo-fi, que é característico, tem instrumentação que remete a estilos distintos como jazz, blues e MPB. Os arranjos contam tanto com instrumentos orgânicos como eletrônicos, todos tocados ou programados pelo autor, que também gravou, mixou, produziu e compôs todas as faixas.

O disco chega às plataformas, propositalmente, no final do ano, época em que muitas pessoas tiram férias e vão viajar. Além de dialogar com o próprio conceito do disco, sintetizado no título, muitas pessoas procuram esse tipo de trilha sonora para embalar suas viagens por aí.

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Conteúdo produzido pela equipe de jornalismo do Portal POP Mais, sob supervisão editorial.

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