O jornalista Don Lemon, ex-apresentador da CNN americana, foi preso na noite de quinta-feira (29) nos Estados Unidos após participar de um protesto contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). A detenção ocorreu no saguão de um hotel em Beverly Hills, na Califórnia.
Conhecido por sua longa trajetória na televisão norte-americana, Lemon integrou a CNN por mais de uma década e se tornou um dos âncoras mais populares da emissora. Ele foi demitido em 2023 e, desde então, atua de forma independente, mantendo um canal próprio no YouTube e se posicionando como crítico do ex-presidente Donald Trump.
Segundo a CNN dos EUA, a prisão está relacionada a um protesto realizado no início do mês em St. Paul, no estado de Minnesota. Na ocasião, dezenas de manifestantes contrários ao ICE invadiram a Igreja Cities durante um culto religioso. Lemon estava presente no local, mas afirma que atuava apenas como jornalista.
Em vídeo divulgado na época, o ex-âncora declarou que não fazia parte do grupo de manifestantes. “Eu estava apenas fotografando. Não faço parte do grupo, sou jornalista”, afirmou.
De acordo com informações oficiais, Don Lemon deverá comparecer a um tribunal federal em Los Angeles nesta sexta-feira (30). Ele estava na cidade para cobrir o Grammy Awards quando foi detido.
A advogada do jornalista, Abbe Lowell, afirmou em comunicado que a atuação de Lemon estava protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa. Segundo ela, o cliente exerce a profissão há mais de 30 anos e não cometeu irregularidades.
Lowell também criticou o Departamento de Justiça, alegando que a prisão seria uma tentativa de desviar a atenção de outros episódios ocorridos durante o protesto em Minnesota, incluindo a morte de dois manifestantes pacíficos. “Este ataque sem precedentes à Primeira Emenda não será tolerado. Don lutará contra essas acusações com vigor no tribunal”, declarou.
Além de Lemon, a procuradora-geral Pam Bondi anunciou outras prisões relacionadas à invasão da igreja. Na semana passada, o Departamento de Justiça tentou indiciar oito pessoas no caso, incluindo o ex-apresentador, mas um juiz rejeitou as acusações contra cinco delas por falta de provas.
O caso segue em andamento e reacende o debate nos Estados Unidos sobre liberdade de imprensa, protestos políticos e a atuação de jornalistas em manifestações públicas.















































