Zuenir Ventura foi um dos nomes de destaque do jornalismo e da literatura brasileira. O jornalista, escritor e cronista morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele construiu uma trajetória de mais de seis décadas dedicada ao jornalismo, à literatura e à reflexão sobre questões políticas e sociais do país.
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir Ventura nasceu em 1º de junho de 1931. Ele iniciou a carreira no jornalismo em 1956, trabalhando como arquivista, e posteriormente passou por algumas das principais redações brasileiras.
Durante a carreira, exerceu funções em veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Também atuou como professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Carreira marcada por grandes reportagens
Na década de 1960, Zuenir recebeu uma bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. Ao retornar ao Brasil, ocupou diferentes cargos de reportagem, edição e direção em veículos de comunicação.
Em 1969, produziu para a Editora Abril uma série de reportagens sobre a década de 1960. O material posteriormente deu origem a um livro.
Outro momento importante de sua carreira ocorreu em 1989, quando publicou no Jornal do Brasil uma série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia. O trabalho rendeu ao jornalista o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
“1968 — O Ano que Não Terminou”
Como escritor, Zuenir ficou especialmente conhecido pelo livro “1968 — O Ano que Não Terminou”, lançado em 1988.
Na obra, o jornalista revisitou os acontecimentos políticos, culturais e sociais que marcaram aquele ano no Brasil. O livro se tornou um dos principais trabalhos de sua carreira e vendeu mais de 400 mil exemplares.
A obra também serviu de inspiração para a minissérie “Anos Rebeldes”, produzida pela TV Globo.
“Cidade Partida”
Em 1994, Zuenir lançou “Cidade Partida”, livro-reportagem dedicado à violência e às desigualdades sociais do Rio de Janeiro.
A obra foi traduzida para o italiano e rendeu ao escritor o Prêmio Jabuti de Reportagem, consolidando sua atuação também no campo da literatura de não ficção.
Além dos livros, Zuenir manteve uma longa trajetória como colunista. Em 1999, passou a escrever para O Globo, onde continuou a abordar temas relacionados à sociedade brasileira.
Reconhecimento
Ao longo da carreira, Zuenir Ventura recebeu diferentes prêmios e homenagens. Em 2008, recebeu um troféu especial da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil.
Em 2010, foi escolhido como “Jornalista do Ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Sua produção também recebeu reconhecimento internacional. Publicações estrangeiras destacaram o trabalho do jornalista e sua capacidade de observar e retratar diferentes aspectos da sociedade brasileira.
Academia Brasileira de Letras
Zuenir Ventura foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 30 de outubro de 2014, ocupando a Cadeira nº 32, na sucessão de Ariano Suassuna.
Na instituição, passou a integrar o grupo de escritores responsáveis por preservar e promover a literatura e a língua portuguesa no Brasil.
Além do trabalho jornalístico e literário, Zuenir também teve participação no cinema. Ele codirigiu o documentário Um Dia Qualquer e foi roteirista de Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje, dirigido por Izabel Jaguaribe.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Zuenir Ventura deixou uma produção marcada pelo jornalismo de reportagem, pela análise da sociedade brasileira e pelo registro de momentos importantes da história recente do país.












































