Giorgio Armani, que morreu no último dia 4, aos 91 anos, deixou um último e inesperado recado: seus herdeiros devem vender uma participação inicial de 15% da grife que ele criou há meio século.
O testamento, divulgado nesta sexta-feira (12), indica que a venda deve acontecer dentro de 18 meses e prioriza gigantes do luxo como LVMH, L’Oréal ou EssilorLuxottica, ou outro grupo de “igual prestígio” avaliado pela fundação do estilista.
A surpresa está justamente no contraste com a vida de Armani. Durante décadas, o designer italiano resistiu a ofertas de compra e manteve a marca independente, mesmo flertando eventualmente com a ideia de abrir o capital. Agora, o roteiro de venda está definido com precisão quase cirúrgica, refletindo o mesmo rigor que ele aplicava às peças que assinava.
Entre três e cinco anos após sua morte, os herdeiros ainda terão de transferir uma participação adicional de 30% a 54,9% ao comprador escolhido, permitindo que ele assuma o controle majoritário da marca.
O parceiro de negócios e de vida de Armani, Leo Dell’Orco, receberá papel central nesse processo, detendo 30% das ações e 40% dos direitos de voto, e ajudando a decidir qual grupo poderá ficar com a maior parte da grife.
A decisão ocorre em um momento de desafios para o mercado de luxo, marcado por incertezas geopolíticas e mudanças nos hábitos de consumo. Apesar disso, perfumes como o Acqua di Giò e a linha de óculos da Armani seguem sendo negócios sólidos graças às parcerias de longa data com L’Oréal e EssilorLuxottica.
Analistas avaliam a marca em até 7 bilhões de euros e destacam que, para conglomerados como a LVMH, a compra representaria uma oportunidade estratégica rara. Procuradas, LVMH e L’Oréal não comentaram; a EssilorLuxottica disse que analisará cuidadosamente a possibilidade.
O plano de Armani reflete ainda uma tendência maior no setor: empresas independentes lideradas por fundadores dão lugar a grandes grupos institucionais. Com isso, a marca que revolucionou o guarda-roupa masculino e conquistou Hollywood está prestes a entrar em um novo capítulo, conciliando legado e negócios em meio a uma reviravolta que ninguém esperava.
















































